Quarta, 14 de Novembro de 2018
É preciso perder para encontrar
26/10/2018 as 23:27 | Fernandópolis | Da Redaçao
Um dia desses me sentei com um casal de idosos bem velhinhos. Eles estavam muito felizes porque iriam comemorar 70 anos de casados. Disse a eles que fariam a tão especial Bodas de Vinho, e que, nos tempos de hoje é raro quem comemora todo esse tempo de união.

Contando algumas de muitas histórias, perguntei qual o segredo para manter-se casados e felizes da forma que estavam. Quando a senhora, chamada Maria começara a falar, seu João colocou sua mão áspera e calejada sobre a perna da esposa, respirou fundo e disse, você quer mesmo saber? Movimentei a cabeça positivamente, e ele completou dizendo “vou te contar! ”.

“Sabe filho, fui um rapaz muito bonito, paquerador, namorava bastante. Conheci Maria, quando ela tinha apenas 13 anos. Tudo aconteceu muito rápido. Nos conhecemos em um movimento da igreja que frequentávamos. O pai dela, me disse, que colocou ela nesse movimento para que ela não namorasse e se acontecesse, que fosse um bom rapaz. Mas, era eu quem estava lá. Vi aquela jovem, muito bonita, cabelos castanhos e confesso, que estava com um belo decote. No primeiro encontro apenas cumprimentei e fiquei paquerando, e ela nem dava ‘bola’ pra mim. As semanas se passaram até que saímos todos juntos e fomos até uma sorveteria e lá pedi a um amigo para que ele conversasse com ela sobre mim. Ele foi falou que eu gostei muito dela, coisas de jovens! Mas no primeiro momento ela disse que não. E depois de tanto insistir, Maria acabou cedendo e conversamos. Assim iniciamos um namoro amistoso, até que, depois de algumas semanas ela não quis mais. Mal sabia ela que eu já estava apaixonado. A minha sorte foi que os pais dela deram uma ‘força danada’ para que ficássemos juntos. E quando eu consegui, ficamos bem. Logo veio o primeiro te amo e tudo mais. No entanto, eu, um rapaz bonito e paquerador comecei a ter olhos não só pra ela. Mesmo namorando, conheci outras jovens que até me relacionei. Nos casamos, pensei que de fato seriamos felizes para sempre. Mas, eu com minha personalidade forte de não estar aí pra nada, continuei tendo outros relacionamentos, até que decidi me separar. Ficamos três meses separados. Nesse tempo pensava que era a pessoa mais feliz. Tinha tudo que um homem poderia ter, só que, quando percebi que nesse tudo, faltava tudo. Aquela jovem que conheci no grupo da igreja, ela era meu tudo. Ela é quem eu queria para ser mãe dos meus filhos. Voltei atrás, mas ela estava se relacionando com alguém. Me negou, me humilhou, mudou completamente quem era. Ficou irreconhecível. Mas, mesmo assim lutei em silêncio, em oração. Sabia que eu tinha errado feio, mas, quem não errou que ‘atire a primeira pedra’. Os dias passaram, e de repente ela mandou uma mensagem, perguntando como eu estava. Depois outra mensagem contando um pouco da semana e assim fomos nos aproximando, como amigos, depois, ela deixou o relacionamento que tinha e saímos, como se fosse a primeira vez e recomeçamos do zero. Conversamos bastante, decidimos um ajudar o outro sempre. Hoje temos dois filhos, três netos e um bisneto. E sabe porque não nos arrependemos de nada do que aconteceu?”

Quando seu João me fez a pergunta, dona Maria o interrompeu colocando sua mão sobre a dele e disse: “Porque as vezes precisamos perder ´algo bom’ para encontrar ‘algo maravilhoso’. ”

Seu João emocionado deu um forte abraço em sua esposa que também estava com os olhos cheio de lágrimas...

Assim fica explícito que quando existe amor de verdade, tudo flui não no nosso tempo. Mas no tempo de Deus.

Jean Braida.

jeanbraida@hotmail.com
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