Quinta, 16 de Agosto de 2018
Justiça já mandou soltar 114 presos em operação contra milícia
27/04/2018 as 13:23 | Brasil | Da Redaçao
Até o momento, dos 137 presos na operação contra a milícia no dia 7 deste mês que tiveram a prisão preventiva revogada, 114 já deixaram o sistema prisional. A informação é da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

O juiz Eduardo Marques Hablitschek, da 2ª Vara Criminal de Santa Cruz, determinou a soltura de 137 detidos a pedido do Ministério Público do estado. Durante toda a quinta-feira, familiares aguardavam a liberação dos detidos no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio.

Ao todo, a Operação Medusa prendeu 159 pessoas e apreendeu sete menores de idade que participavam de um show de pagode em um sítio em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. No último dia 19, a Justiça já havia revogado a prisão preventiva do artista de circo Pablo Dias Bessa Martins, também detido na operação policial. Ele viajou na terça-feira (24) para a Suécia, a trabalho.

A expectativa é que os 23 restantes saiam na manhã de hoje (27). A Defensoria Pública do Estado (DPE) acompanha o processo de liberação e informou ontem (26) que o procedimento estava sendo feito de forma ágil. Em nota, o órgão, que assiste diretamente 36 dos presos, declarou que a libertação deles é o início da correção dos graves erros e injustiças ocorridos desde o início da Operação Medusa.

Ao participar ontem do lançamento do relatório do Observatório da Intervenção, o sub-defensor público do estado, Rodrigo Pacheco, afirmou que a Defensoria Pública tem se posicionado em relação a várias ações e que “não tem como dissociar essa prisão de 159 pessoas da intervenção federal”. “[Essa prisão] foi apresentada como um troféu da intervenção federal", disse. "A intervenção está extremamente politizada, esse caso está muito politizado, e o nosso papel é despolitizá-lo”, destacou.

A operação foi apontada pela polícia como a maior ação de enfrentamento à milícia no estado do Rio. No entanto, desde as prisões, a DPE e familiares denunciaram a arbitrariedade do encarceramento em massa e o fato de a maioria dos presos não ter antecedentes criminais e exercerem trabalhos com carteira assinada. A Justiça manteve a prisão de 21 pessoas, seis delas não têm antecedentes criminais e nunca foram investigadas por integrar milícia.
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