sexta, 4 de setembro de 2026

Voluntariado na saúde mental transforma vidas e leva apoio psicológico em cenários de crise e trauma

Mobilizados por catástrofes naturais, guerras e o avanço dos transtornos emocionais na sociedade, profissionais de saúde mental e cidadãos dedicam seu tempo ao trabalho humanitário para oferecer escuta e tratamento a quem enfrenta momentos de dor. No Dia Nacional do Voluntariado, comemorado nesta sexta-feira (28), iniciativas individuais e coletivas mostram como a doação de tempo impacta tanto quem recebe o atendimento quanto quem acolhe.

A psicóloga Esly Carvalho, de Brasília, atua no treinamento de equipes para a intervenção em estresse pós-traumático por meio de abordagens focadas no desbloqueio de memórias dolorosas. Após um forte terremoto na Venezuela, que deixou milhares de vítimas, a especialista estruturou um programa de capacitação a distância para terapeutas locais. A iniciativa já treinou mais de uma centena de profissionais venezuelanos e colombianos, permitindo o atendimento gratuito de centenas de pessoas afetadas pelo desastre e por crises humanitárias em acampamentos da região.

Outro exemplo de suporte comunitário é o Projeto Help, que começou em 2017 a partir da iniciativa de seis amigos em São Paulo que superaram a depressão e passaram a espalhar mensagens com contatos telefônicos em pontes e viadutos. A ação cresceu e conta atualmente com milhares de voluntários pelo país. O grupo promove escutas em locais públicos conhecidas como “cantinho do desabafo”, além de palestras em escolas para apoiar jovens com quadros de ansiedade, solidão e problemas ligados ao vício em apostas online e uso excessivo de tecnologia.

A solidariedade também motiva ações voltadas para grupos específicos e historicamente vulneráveis. Em Brasília, o psicólogo Lucas Hedler criou um grupo de apoio voluntário direcionado à população trans, focado em acolher inseguranças e tratar traumas decorrentes de rejeição familiar ou violência. Essas correntes de apoio somam-se à rede pública e a canais gratuitos de acolhimento emocional, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), demonstrando o valor do trabalho voluntário na prevenção e no cuidado com a saúde mental.

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