

A vitória de virada do Brasil por 2 a 1 contra o Japão, que garantiu a classificação da seleção brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo, repercutiu intensamente nos principais jornais esportivos do mundo. O confronto emocionante em Houston, nos Estados Unidos, inspirou os correspondentes internacionais, que usaram desde referências ao famoso desenho animado de futebol Super Campeões (Captain Tsubasa) até análises detalhadas sobre as decisões táticas do técnico Carlo Ancelotti e o futebol apresentado pela equipe.

Na Europa, a forte ligação do Japão com a cultura dos animes ditou o ritmo das manchetes. O jornal espanhol Marca destacou o atacante Gabriel Martinelli, responsável pelo gol da vitória nos acréscimos, comparando-o ao protagonista do desenho, Oliver Tsubasa. Na Itália, o Corriere dello Sport brincou que ainda não era o momento de a história dos personagens japoneses triunfar e estampou que o camisa 22 do Brasil fez o Japão chorar. Já em Portugal, o site MaisFutebol descreveu o gol japonês, nascido de uma falha do lateral Danilo, como uma jogada digna de animação, mas lembrou que os times de Ancelotti têm a característica marcante de lutar até o último segundo.
A inteligência tática do treinador brasileiro também foi bastante elogiada pela imprensa de língua inglesa. Veículos de prestígio como o norte-americano New York Times e o britânico BBC apontaram as substituições do comandante como o fator decisivo para a virada. A análise dos Estados Unidos elogiou a calma de Ancelotti no calor da partida e destacou sua visão estratégica ao reposicionar Martinelli de forma mais centralizada na área, saindo da ponta esquerda, mudança que resultou no gol da classificação.


Por outro lado, a atuação coletiva da seleção brasileira não escapou de duras críticas na América Latina. O jornal argentino Olé ironizou o desempenho da equipe com o famoso jargão espacial “Houston, temos um problema”, afirmando que o Brasil avançou mais pelo peso de sua camisa e pelo talento individual de Vinícius Júnior do que por ter um jogo organizado. No México, o jornal Record definiu Ancelotti como um mestre do xadrez, mas deixou o alerta de que apenas a estratégia do treinador não será suficiente para garantir o título nas próximas fases do torneio.
No Japão, o sentimento geral foi de profunda tristeza e conformismo. O periódico Nikkei Sports classificou a eliminação dolorosa como a “Tragédia de Houston”. Já o Sports Hochi preferiu contextualizar o resultado lembrando a falta que fizeram os grandes craques da equipe que se lesionaram antes e durante o torneio, como Minamino, Mitoma, Endo e Kubo, concluindo que a jornada japonesa em busca do topo do futebol mundial continua sendo um caminho muito difícil. Agora, o Brasil descansa e se prepara para jogar as oitavas de final no próximo domingo, dia 5 de julho, às 17h, em Nova Jersey, onde enfrentará o sobrevivente do duelo entre Noruega e Costa do Marfim.








