

O caso do dono de uma garagem de veículos que desapareceu em São José do Rio Preto ganhou novos detalhes com o relato de vítimas que amargam prejuízos financeiros significativos. Carlos Miguel Rós, proprietário de uma oficina em Bady Bassitt, é uma das mais de 30 pessoas que procuraram a polícia após o fechamento repentino do estabelecimento no bairro Vila Maceno. Ele conta que deixou seu carro para venda em janeiro, avaliado em R$ 36 mil, mas nunca recebeu o pagamento, descobrindo o golpe somente em março, ao encontrar a loja abandonada e outros clientes desesperados na calçada.

A investigação da Polícia Civil revela um esquema complexo de estelionato que travou a vida de vendedores e compradores. Segundo as autoridades, o empresário vendia os carros recebidos em consignação, mas ficava com todo o dinheiro. Para concretizar as fraudes, ele é suspeito de falsificar assinaturas em cartórios e realizar financiamentos sem o consentimento dos donos originais. O reflexo disso é um impasse documental: quem comprou não consegue transferir o veículo para o próprio nome, pois o antigo proprietário, sem ter recebido o valor da venda, bloqueia a documentação judicialmente.
A dimensão do problema ultrapassa os limites da cidade, com vítimas sendo identificadas em municípios vizinhos. Carlos Miguel, por exemplo, descobriu que seu automóvel foi parar em Fernandópolis. Ao ser contatado pelo novo comprador, que tentava regularizar o veículo, ele precisou explicar que ambos haviam caído em uma armadilha. O inquérito policial aponta que o suspeito usava táticas para ganhar tempo, como entregar carros de terceiros para clientes que começavam a cobrar o dinheiro, alegando que eram veículos de sua propriedade particular para passar uma falsa sensação de garantia.
Atualmente, um grupo em um aplicativo de mensagens já reúne mais de 120 pessoas que buscam justiça e tentam localizar o paradeiro do empresário, que apagou suas redes sociais e segue incomunicável. O delegado Jonathan Marcondes, responsável pelo caso, acredita que o número de vítimas pode dobrar conforme novas denúncias apareçam via internet ou em delegacias de outras regiões. Enquanto o inquérito avança, a Justiça iniciou o bloqueio das transferências dos veículos envolvidos para evitar que os bens desapareçam e para tentar mitigar o prejuízo total causado pelo esquema.









