quinta, 9 de julho de 2026

Vício em apostas online destrói patrimônio de moradores e acende alerta na saúde pública de Rio Preto

O drama provocado pela dependência em jogos de apostas virtuais ganhou um rosto anônimo em São José do Rio Preto. Um morador da cidade precisou vender os móveis de casa, perdeu o próprio automóvel e chegou ao extremo de pedir dinheiro emprestado para o vizinho na tentativa de sustentar o vício. Em entrevista à TV TEM, ele relatou ter perdido completamente o controle financeiro por causa do impulso de jogar. Atualmente, o homem enfrenta uma batalha diária de reabilitação e recebe acompanhamento em um hospital psiquiátrico local para tentar reconstruir sua vida do zero.

Esse caso reflete uma crise nacional que já se tornou um problema grave de saúde pública. Estatísticas do Ministério da Fazenda revelaram que cerca de 25 milhões de brasileiros utilizaram plataformas digitais de apostas em 2025. Desse total, o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) aponta que 11 milhões de pessoas jogam de maneira considerada perigosa, gerando riscos severos para suas economias e estabilidade mental. No Hospital Psiquiátrico Bezerra de Menezes, em Rio Preto, o número de pacientes internados que relatam esse tipo de dependência não para de crescer. Médicos psiquiatras da instituição explicam que os aplicativos são desenhados para viciar, pois alteram o mecanismo de recompensa do cérebro, fazendo o usuário buscar repetidamente a euforia da vitória.

Como as redes sociais funcionam como a principal porta de entrada para esse universo — muito por conta da publicidade em massa feita por influenciadores digitais —, as autoridades têm endurecido o cerco contra a ilegalidade. Em maio deste ano, a Polícia Civil de Rio Preto deflagrou a Operação Destino Oculto, que investigou uma influenciadora suspeita de movimentar mais de R$ 100 milhões em um esquema criminoso. O estopim da apuração foi uma tragédia: um morador de Olímpia tirou a própria vida após acumular dívidas impagáveis nas plataformas.

Como medida de enfrentamento ao vício, o governo federal disponibiliza uma ferramenta de autoexclusão que permite ao usuário bloquear o próprio acesso a sites legalizados, além de proibir novos cadastros e barrar propagandas do setor. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda ressalta que mais de 600 mil pessoas já aderiram ao bloqueio voluntário. Em paralelo, uma força-tarefa junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) conseguiu tirar do ar mais de 40 mil páginas de apostas e cassinos virtuais não regulamentados desde 2024, visando diminuir o alcance do mercado ilegal no país.

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