quarta, 10 de junho de 2026

Vereador pede CPI em Rio Preto para investigar compras de imóveis do prefeito Fábio Candido

O vereador Pedro Roberto protocolou na Câmara Municipal de São José do Rio Preto um requerimento para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito com o objetivo de apurar transações imobiliárias que envolvem o prefeito Fábio Candido, seus familiares e pessoas próximas. O pedido de investigação, que vem sendo chamado nos bastidores do Legislativo de “CPI do Sítio”, foi apresentado nesta sexta-feira e se baseia em uma série de denúncias sobre supostas irregularidades financeiras e incompatibilidade de patrimônio que já haviam sido encaminhadas ao Ministério Público por parlamentares da oposição. O foco principal da comissão é descobrir a origem do dinheiro utilizado em compras de propriedades realizadas logo após as eleições municipais de 2024, além de apurar as diferenças gritantes entre as quantias que constam nos documentos oficiais dos cartórios e os valores que teriam sido realmente desembolsados nas negociações.

O caso que mais chama a atenção na proposta é a compra de um sítio localizado nos arredores do Distrito de Talhado, registrado em nome do prefeito e da primeira-dama, Josiane Candido. Na escritura pública do imóvel, o valor declarado da propriedade é de R$ 200 mil, mas depoimentos importantes anexados ao pedido da CPI revelam que o preço real da venda teria sido de R$ 600 mil pagos inteiramente em dinheiro vivo. Essas revelações foram feitas em abril deste ano por um casal de vendedores durante uma reunião gravada pela TV Câmara com a presença de vereadores oposicionistas. Em seus relatos, os antigos proprietários afirmaram que a entrega das cédulas de dinheiro ocorreu dentro de um cartório da cidade, intermediada por um corretor, e que parte dos valores foi transportada em uma sacola preta após uma conversa telefônica, em viva-voz, com o próprio chefe do Executivo.

Além da chácara, o documento pede que os vereadores investiguem a compra de uma casa de alto padrão que está em nome do irmão e da cunhada do prefeito. A papelada do cartório aponta que o imóvel custou R$ 500 mil em espécie, mas denúncias anônimas recebidas pelos parlamentares sugerem que o valor real de mercado da residência gira em torno de R$ 1,25 milhão. A mesma suspeita recai sobre a aquisição de três terrenos em um loteamento da cidade atribuídos aos parentes do prefeito, cujas negociações teriam sido feitas por meio de contratos particulares antigos e boletos bancários que não passaram pelo registro formal de um cartório. Para sair do papel, o requerimento da CPI precisa de pelo menos oito assinaturas dos parlamentares da casa, sendo que cinco vereadores já assinaram o termo, que prevê um prazo de trabalho de até 120 dias úteis caso a investigação seja autorizada.

As suspeitas em torno das propriedades de Fábio Candido já estão sendo apuradas de forma criminal pela Polícia Civil, por determinação do Ministério Público de São Paulo. A apuração chegou a ser arquivada inicialmente pela Promotoria local, mas a Procuradoria-Geral de Justiça ordenou que os trabalhos fossem retomados na Delegacia Seccional de Rio Preto após a oposição apresentar novos indícios e provas no caso. Em resposta às acusações, o prefeito Fábio Candido divulgou uma nota oficial manifestando total tranquilidade sobre a investigação. O governante assegurou que todo o seu patrimônio financeiro e imobiliário está devidamente declarado aos órgãos de fiscalização e que os valores são perfeitamente compatíveis com os rendimentos acumulados ao longo de sua carreira profissional como coronel da reserva da Polícia Militar e com o salário atual que recebe no cargo de prefeito, colocando-se à disposição para prestar qualquer esclarecimento à Justiça.

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