sábado, 2 de maio de 2026

‘Vende o Brasil’: Caiado responde Lula após críticas a acordo com os EUA

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, respondeu nesta quinta-feira (23) às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma parceria entre o estado e o governo dos Estados Unidos para a exploração de minerais raros. Em conversa com jornalistas durante agenda em Minas Gerais, Caiado devolveu a acusação de que estaria “entregando” o país, afirmando que, na verdade, o governo federal é quem falha em desenvolver tecnologia nacional, mantendo o Brasil como um exportador de matéria-prima bruta desde o período colonial. Segundo o político goiano, o objetivo de sua gestão é justamente mudar esse cenário por meio da industrialização local.

A polêmica teve início após o presidente Lula criticar o senador Flávio Bolsonaro e o próprio Caiado, alegando que ambos estariam negociando recursos estratégicos com os norte-americanos de forma inadequada. O presidente chegou a questionar a legalidade do acordo, afirmando que a competência sobre recursos minerais pertence à União, e não ao governo estadual. Em defesa da medida, Caiado explicou que o projeto visa permitir que Goiás desenvolva a tecnologia necessária para separar os minerais em solo brasileiro, agregando valor ao produto final. Ele exemplificou que exportar componentes refinados, como o térbio ou o disprósio, traz muito mais riqueza e renda para o estado do que vender apenas o minério bruto.

Goiás abriga atualmente a Serra Verde, a única mineradora de terras raras em operação no Brasil, que hoje envia toda a sua produção para a China. O acordo com os Estados Unidos, firmado em março, envolve um investimento de 565 milhões de dólares para ampliar a extração desses elementos. O governo estadual reforçou, em nota oficial, que a celebração do memorando está totalmente amparada pelas competências constitucionais do estado e busca fortalecer a economia local.

As chamadas “terras raras” são minerais extremamente valiosos e essenciais para a indústria tecnológica moderna. Eles são utilizados na fabricação de motores para carros elétricos, turbinas de energia eólica, telas de smartphones e computadores, além de diversos componentes eletrônicos avançados. O embate entre Lula e Caiado reflete a disputa política em torno da soberania nacional e das estratégias de desenvolvimento econômico, especialmente considerando que ambos são vistos como possíveis adversários na sucessão presidencial.

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