

O mercado brasileiro de veículos novos está aquecido e deve fechar o ano com um desempenho bem melhor do que o esperado. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) revisou suas estimativas e anunciou que as vendas gerais devem crescer cerca de 8,6%, superando a marca de 5,2 milhões de unidades comercializadas entre carros, picapes, ônibus, caminhões e motocicletas. No começo do ano, a expectativa da entidade era mais tímida, apostando em uma alta de 6,1%.

A mudança nas projeções foi motivada pelo balanço positivo do primeiro semestre, que registrou um avanço surpreendente de 16% em comparação com o mesmo período do ano passado. O presidente da Fenabrave, Arcélio Junior, explicou que o comportamento do consumidor e do mercado superou as previsões iniciais, obrigando a diretoria a recalcular as metas para cada setor. Quando analisado apenas o grupo de carros de passeio e comerciais leves, a estimativa de crescimento saltou de 3% para quase 8%. Já o mercado de duas rodas vive um momento de ouro: as motocicletas devem atingir um recorde histórico, com previsão de alta de 10% e mais de 2,4 milhões de emplacamentos.
Especialistas apontam que esse movimento de alta foi impulsionado por incentivos importantes, como o programa federal Carro Sustentável, que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos mais leves e menos poluentes. A forte concorrência entre as marcas, que gerou descontos nos preços finais, e a expansão da rede de concessionárias pelo país também ajudaram a atrair os compradores para as lojas nos primeiros seis meses do ano.


Por outro lado, o setor de veículos pesados ainda enfrenta dificuldades para se recuperar. Os segmentos de caminhões e ônibus fecharam o semestre no vermelho e devem encerrar o ano com quedas estimadas em 7,8% e 9,2%, respectivamente. De acordo com a diretoria executiva da Fenabrave, iniciativas como o programa Move Brasil — que oferece juros mais baixos para renovação de frotas antigas — ajudaram a ensaiar uma reação nas vendas nos meses mais recentes, mas o ritmo de emplacamentos ainda esbarra na burocracia para a liberação dos financiamentos.







