segunda, 15 de junho de 2026

Unidas até o fim: melhores amigas que lutavam contra o câncer morrem com uma hora de diferença em hospital

O tratamento contra o câncer costuma ser uma jornada dolorosa e solitária, a ponto de a jovem Lara Gabriela, após perder vários companheiros de ala, decidir que não faria mais amizades no hospital para evitar o sofrimento do luto. No entanto, as barreiras que ela construiu foram derrubadas pelo carisma e acolhimento de Maria Eduarda, a Duda. As duas adolescentes, que enfrentavam a leucemia no Hospital do Amor, em Porto Velho, tornaram-se melhores amigas e, após anos compartilhando dores e vitórias, faleceram no mesmo hospital, na última segunda-feira, com apenas uma hora de diferença.

O vínculo começou em 2021, quando Lara já tratava a doença e Duda chegou do interior de Rondônia para iniciar o mesmo processo. Segundo a família de Lara, a aproximação foi gradual, mas logo as duas se tornaram inseparáveis, transformando a rotina de exames e quimioterapias em momentos de apoio mútuo. A amizade transbordou as paredes do hospital e elas passaram a comemorar aniversários e fins de semana juntas. Elas também celebraram o fim do tratamento de cada uma: o de Lara em 2024 e o de Duda no início de 2026.

Mesmo quando a doença de Lara voltou, o cuidado com a amiga permaneceu em primeiro lugar. Ao receber o novo diagnóstico, a jovem engoliu o choro e pediu aos médicos que não contassem nada para Duda, temendo que a notícia pudesse prejudicar o desempenho da amiga em um exame de saúde crucial programado para aquele mesmo dia.

A saúde de ambas, contudo, começou a dar sinais de alerta novamente no final de abril. Lara reiniciou o tratamento e, poucos dias depois, Duda passou mal e também precisou ser internada. Devido à baixa imunidade, elas não podiam se visitar no quarto, mas conversavam por chamadas de vídeo e prometeram que logo caminhariam juntas pelos corredores para conversar. O quadro das duas se agravou rapidamente, levando-as para a UTI, onde precisaram ser intubadas no domingo e faleceram no dia seguinte. De acordo com a família de Duda, ela sofreu morte cerebral após o câncer retornar e atingir o cérebro. A partida precoce e quase simultânea das adolescentes comoveu familiares e profissionais da saúde, deixando o legado de uma amizade que trouxe força e esperança até os últimos instantes.

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