quarta, 7 de outubro de 2026

Unicef e Fórum de Segurança cobram dos candidatos planos concretos contra a violência infantil nas eleições de 2026

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública uniram forças em uma campanha nacional para pressionar os candidatos às eleições de outubro de 2026 a priorizarem o combate à violência contra crianças e adolescentes. A iniciativa busca influenciar os programas de governo que disputarão os cargos de presidente e governadores, exigindo compromissos públicos com políticas efetivas e de longo prazo.

Representantes da agência da ONU destacaram que a violência doméstica e urbana representa a principal preocupação do órgão no atual pleito. Logo após o encerramento do prazo para o registro oficial de candidaturas, marcado para o próximo sábado, 15 de agosto, especialistas do Unicef vão analisar detalhadamente as propostas enviadas à Justiça Eleitoral. O objetivo é mapear quais postulantes apresentam soluções fundamentadas em dados para conter o número de homicídios e abusos, evitando discursos simplistas ou focados exclusivamente em medidas punitivistas.

A urgência do debate é reforçada pelos números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Embora o país tenha registrado uma queda de 10,8% nas mortes violentas de jovens entre 2024 e 2025, o Brasil encerrou o último ano com 2.079 assassinatos de menores de 18 anos — média de pelo menos cinco casos por dia. A esmagadora maioria das vítimas tinha entre 12 e 17 anos e era negra. Além dos homicídios, a violência sexual dentro de casa continua sendo um problema grave: dados de 2025 indicam que 65% dos estupros de vulneráveis ocorreram nas residências das próprias vítimas, praticados por pessoas conhecidas ou familiares.

Diante do diagnóstico, as entidades defendem a criação de uma política nacional unificada para prevenir a violência infantil, com orçamento próprio e responsabilidades claras divididas entre União, estados e municípios. Integrantes do Unicef e do Fórum alertam que soluções baseadas em dados e na transparência pública trazem resultados mais concretos do que propostas reativas, como a redução da maioridade penal, e reforçam que o combate ao problema exige ações integradas de proteção social, educação e segurança pública.

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