


Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que apenas sete dias de treino de força são suficientes para reverter processos inflamatórios e ativar a queima de gordura visceral em organismos obesos, mesmo sem qualquer alteração registrada no peso corporal. O estudo, realizado com camundongos e publicado na revista científica Life Sciences, analisou os mecanismos biomoleculares precoces do exercício físico, revelando que os benefícios metabólicos da musculação começam nas células muito antes que os resultados fiquem visíveis na balança.

Durante o experimento apoiado pela FAPESP, animais com obesidade induzida por dieta rica em gordura foram submetidos a sessões de subida em escada com carga adaptada para simular a musculação humana. As análises focaram no tecido adiposo mesentérico, localizado ao redor dos intestinos, que equivale à gordura visceral em humanos — o tipo mais nocivo à saúde devido à liberação constante de substâncias inflamatórias na corrente sanguínea. Os resultados demonstraram que o treinamento de força encolheu as células de gordura e reativou a sinalização de proteínas vitais para a lipólise, processo de quebra dos estoques de gordura para geração de energia.
A pesquisa coordenada pelo professor e médico Leandro Moura destaca a relevância do exercício de força na saúde metabólica, combatendo a ideia de que apenas atividades aeróbicas atuam na queima de gordura. Embora se trate de uma análise experimental em modelo animal, os achados trazem um alerta importante para quem busca o emagrecimento: as transformações internas benéficas ocorrem desde os primeiros dias de treino. O grupo de pesquisadores agora projeta novas etapas do estudo para acompanhar o comportamento dessas proteínas em prazos mais longos e em outros depósitos de gordura do corpo, como a região ao redor do coração.









