quarta, 10 de junho de 2026

Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido, revela estudo inédito

Um levantamento nacional inédito revelou que 25% dos brasileiros desconhecem que o câncer é uma doença que pode ser evitada. Os dados constam no relatório “Mais Dados Mais Saúde”, divulgado nesta quarta-feira (3), que avaliou como a população percebe os fatores de risco ligados ao estilo de vida, como o fumo, o sedentarismo e a alimentação. O cenário acende um alerta para as autoridades, já que o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta 781 mil novos diagnósticos por ano no país entre 2026 e 2028, um avanço de 10,9% motivado principalmente pelo envelhecimento dos cidadãos e por hábitos nocivos à saúde.

A pesquisa, realizada pelas organizações Umane e Vital Strategies com suporte do Instituto Devive e do Inca, entrevistou 6,5 mil pessoas em todas as regiões brasileiras. O estudo revelou que a população reconhece com facilidade os riscos mais tradicionais: 90,5% sabem que o cigarro causa câncer, seguido pelo histórico genético (89,4%) e pelo excesso de sol sem proteção (88,3%). Segundo especialistas, o alto índice de consciência sobre o tabagismo é fruto de décadas de campanhas massivas, restrições de consumo em locais públicos e aumento de impostos, estratégias que agora precisam ser replicadas para outros hábitos cotidianos.

Em contrapartida, os riscos ocultos na alimentação e na falta de exercícios ainda são amplamente ignorados. O sedentarismo ficou na lanterna do conhecimento geral: menos da metade dos entrevistados (48,3%) entende que a falta de atividade física contribui para o surgimento de tumores. Alimentos ultraprocessados como salgadinhos e macarrão instantâneo são vistos como perigosos por apenas 65,6% dos adultos, enquanto a obesidade é associada à doença por só 54,1%. O desconhecimento atinge até mesmo a carne vermelha, que é identificada como um elemento que eleva as chances de câncer por menos de três em cada dez brasileiros. Outro dado preocupante aponta que 40% das pessoas não sabem que a amamentação atua como um fator de proteção para as mulheres contra o câncer de mama.

O comportamento dos mais jovens também preocupa os pesquisadores. O grupo de até 24 anos lidera o consumo de itens prejudiciais sem qualquer plano de mudança. Nessa faixa etária, 32,3% comem ultraprocessados e 24,4% tomam bebidas adoçadas frequentemente sem a intenção de diminuir o hábito. O público jovem também se destaca negativamente no consumo de álcool — substância ligada a pelo menos oito tipos de tumores —, registrando a maior parcela de pessoas que bebem e pretendem continuar no mesmo ritmo.

A pesquisa evidenciou ainda uma desigualdade social no acesso à saúde e à informação. Enquanto 59,6% dos brasileiros com renda acima de R$ 10 mil sabem dos perigos do sedentarismo, esse conhecimento cai para 45% entre aqueles que ganham até R$ 2 mil. A mesma lógica se aplica ao combate ao excesso de peso: mais de 40% das pessoas de classe mais alta estão tomando alguma atitude para emagrecer, contra apenas 22,9% na faixa de menor renda. Para os coordenadores do estudo, os resultados mostram que o combate ao câncer exige mais do que avisar a população; demanda políticas públicas que garantam bairros seguros e iluminados para a prática de exercícios e facilidade de acesso a alimentos saudáveis.

Notícias relacionadas