

Em uma decisão histórica, a Uefa e suas 55 federações associadas aprovaram por unanimidade o boicote à Copa do Mundo e a todas as competições organizadas pela Fifa. A medida drástica foi tomada nesta quinta-feira em protesto contra o projeto do órgão máximo do futebol mundial de criar uma subsidiária de US$ 20 bilhões para administrar o torneio e vender fatias minoritárias das suas competições a investidores privados.

A entidade europeia declarou que o futebol internacional não pode ser tratado como um produto financeiro ou comercializado com grupos empresariais. Em nota oficial, o bloco avisou que nenhuma seleção do continente participará dos campeonatos da Fifa enquanto a proposta não for definitivamente descartada e acompanhada de garantias jurídicas de que a governança do esporte continuará sob gestão pública. A posição da Uefa ganhou o reforço de entidades que representam os atletas, como o sindicato global Fifpro, que alertou para os riscos de deformar as estruturas de carreira e incentivo do futebol.
O protesto do futebol europeu somou-se a uma forte resistência vinda da Confederação Asiática de Futebol (AFC). O presidente da AFC, xeique Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, enviou um alerta às 47 federações da região criticando a postura unilateral da Fifa e afirmando ser inaceitável que o plano avance sem debate detalhado sobre seus impactos jurídicos e financeiros. A crítica colocou ainda mais pressão sobre a gestão de Gianni Infantino, presidente da Fifa, recebendo também ressalvas da Concacaf pela falta de consulta prévia.


Para tentar viabilizar a transação antes do prazo limite em setembro, a Fifa acenou com repasses de US$ 40 milhões para cada uma das 211 associações afiliadas que aprovarem a proposta. Enquanto consultores do projeto argumentam que a entidade manterá o controle das decisões operacionais e que a entrada de capital privado segue uma tendência global do esporte, federações regionais e ligas de futebol do mundo todo continuam a manifestar rejeição total à comercialização dos direitos e da soberania da Copa do Mundo.









