sexta, 16 de outubro de 2026

UE suspende compra de carnes, mel e derivados do Brasil e gera impacto bilionário no agronegócio

A União Europeia deu início à suspensão temporária da entrada de produtos de origem animal vindos do Brasil em todos os seus 27 países-membros. O embargo atinge embarques de carne bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, ameaçando um volume de exportações estimado em até US$ 2 bilhões por ano. A decisão do bloco europeu não decorre de problemas de contaminação sanitária nas carnes brasileiras, mas sim de questionamentos técnicos sobre a capacidade do sistema brasileiro de fiscalizar e rastrear a utilização de medicamentos antimicrobianos na criação dos animais.

A legislação do bloco europeu proíbe rigorosamente o uso de antimicrobianos como estimulantes de crescimento e veda substâncias destinadas ao tratamento humano na criação animal. Embora o governo brasileiro conteste o bloqueio e assegure que o país já segue regras rígidas, o setor privado e o Ministério da Agricultura negociam a implementação de novos protocolos de rastreabilidade para garantir o cumprimento das exigências europeias. Para demonstrar a adequação dos processos, técnicos do bloco cumprem agenda de auditoria nas cadeias produtivas de frango e mel no país, cujo parecer deve ser divulgado nos próximos meses.

Enquanto a cadeia avícola tem ciclos produtivos mais curtos e projeta uma solução mais rápida, o setor da carne bovina enfrenta um desafio de adequação que pode durar até três anos devido ao tempo necessário para o acompanhamento completo da vida do animal. A medida atinge um mercado estratégico, reconhecido pelo alto valor agregado dos cortes adquiridos. Diante do cenário de suspensão, frigoríficos e produtores iniciaram o redirecionamento dos volumes para o mercado interno e para outros parceiros comerciais ao redor do mundo, enquanto o governo atua no plano diplomático e técnico para restabelecer as exportações.

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