sábado, 8 de agosto de 2026

TSE propõe selo para premiar institutos de pesquisa que “acertarem” resultados, mas empresas criticam a ideia

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, sugeriu nesta terça-feira (14) a criação de uma premiação oficial para os institutos de pesquisa que chegarem mais perto do resultado real das urnas nas eleições de outubro. Chamada de Selo Acurácia Eleitoral, a iniciativa foi apresentada durante uma reunião com representantes do setor, convocada para discutir novas regras de divulgação após o tribunal suspender um levantamento recente da AtlasIntel para a presidência da República. Segundo o ministro, a ideia é valorizar as boas práticas e reconhecer publicamente as empresas que mostrarem maior precisão técnica em seus dados.

Logo após o anúncio da proposta, o TSE abriu um prazo até a próxima sexta-feira (17) para receber sugestões de como definir os critérios para a escolha dos vencedores. A intenção da Justiça Eleitoral é criar um mecanismo que estimule o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas no país. No entanto, a proposta não foi bem recebida pelo setor e gerou reação imediata das empresas de opinião pública.

Em nota oficial, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) criticou duramente a criação do selo, ressaltando que pesquisas eleitorais funcionam como um retrato do momento em que as entrevistas são feitas, e não como adivinhações. A entidade explicou que os eleitores podem mudar de opinião, decidir não ir votar ou alterar o comportamento entre o dia da entrevista e o momento de registrar o voto na urna, argumentando que exigir o acerto do resultado final é confundir ciência com bola de cristal. A associação também demonstrou preocupação com o fato de a Justiça Eleitoral tentar virar juíza da qualidade do trabalho científico e defendeu que qualquer mudança deve ser debatida com rigor metodológico, para evitar que a medida acabe estimulando práticas oportunistas no mercado.

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