domingo, 9 de agosto de 2026

Tragédia na fronteira: mortes na travessia para enclave espanhol em Ceuta sobem para 72

O número de mortos na tentativa massiva de travessia do Marrocos para Ceuta, enclave espanhol situado no norte da África, subiu para pelo menos 72. A contagem foi atualizada após as autoridades locais localizarem mais cinco corpos ao longo da costa da cidade. A tragédia ocorreu após uma onda migratória sem precedentes iniciada na quinta-feira, quando mais de 50 mil pessoas tentaram acessar o território europeu por terra e por mar, provocando forte comoção e estado de alerta na União Europeia.

A maioria dos migrantes tentava fugir de dificuldades financeiras, impulsionados por boatos espalhados em redes sociais. Durante a travessia desesperada, diversas pessoas morreram afogadas ou esmagadas enquanto tentavam superar o quebra-mar e a cerca que delimita a fronteira. Além das vítimas fatais, mais de mil pessoas necessitaram de atendimento médico emergencial desde o início da crise. Com o reforço na segurança, a situação no local começou a se estabilizar e cerca de 48 mil migrantes já retornaram ao território marroquino.

Diante do caos, o governo espanhol intensificou o patrulhamento policial e militar na região e instalou uma barreira flutuante de 500 metros na costa para conter novos desembarques. A dimensão do episódio gerou forte reação diplomática no continente. Um grupo de 22 países membros da União Europeia cobrou ações coordenadas para blindar as fronteiras externas do bloco, e a Itália tomou a medida extrema de suspender temporariamente o acordo de livre circulação com a Espanha.

A crise também reacendeu o debate político sobre a política migratória espanhola. A administração pública do país negou que programas recentes de regularização de imigrantes tenham incentivado a corrida para a fronteira, ressaltando que aqueles que entraram de forma irregular não têm autorização para desembarcar na Espanha continental ou em outros países europeus. Enquanto isso, equipes do enclave seguem trabalhando para restabelecer a rotina na cidade e identificar os corpos resgatados.

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