sexta, 5 de junho de 2026

Tragédia com apostas no ‘Jogo do Tigrinho’ deu início a operação contra influenciadora em Rio Preto

A grande operação policial que mirou uma influenciadora digital de São José do Rio Preto nesta segunda-feira teve um ponto de partida trágico. De acordo com a Polícia Civil, a investigação que resultou na “Operação Destino Oculto” começou há cerca de seis meses, logo após o suicídio de um morador da cidade que entrou em desespero ao perder dinheiro em apostas no aplicativo conhecido como “Jogo do Tigrinho”. Com o avanço das apurações sobre a exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão no condomínio de luxo Damha VI, em Rio Preto, e também em endereços na cidade de Olímpia, onde vivem parentes da investigada.

O chefe da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto, delegado Fernando Augusto Nunes Tedde, explicou que a morte do apostador foi fundamental para que as autoridades reunissem os primeiros elementos e decidissem aprofundar o caso. A vítima era um homem de 39 anos que, em setembro do ano passado, perdeu cerca de R$ 1.800 em apostas pelo celular enquanto esperava a esposa em um salão de beleza. Tomado pelo desespero com o prejuízo financeiro, ele atentou contra a própria vida, foi socorrido, mas não resistiu. A partir do registro dessa ocorrência, a polícia passou a rastrear a estrutura por trás da plataforma.

Embora o inquérito corra sob sigilo judicial para não atrapalhar a busca pelos suspeitos — que não foram localizados em Rio Preto durante a ação —, o delegado comparou o caso ao de repercussão nacional que envolveu a advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Segundo as investigações, a influenciadora do interior paulista funcionava como uma peça importante para atrair novos apostadores para os jogos de azar na internet e contava com uma rede de empresas, familiares e um contador para movimentar os valores. A polícia aponta ainda que o esquema é antigo, possui uma estrutura muito ampla e que a criadora de conteúdo, que teria ligações com uma organização criminosa, entrou em uma engrenagem que já faturava alto no país.

Ao todo, três pessoas são investigadas diretamente por movimentar quase R$ 100 milhões por meio de contas disfarçadas e intermediadores financeiros para esconder o dinheiro das apostas. Por conta disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 86 milhões do grupo, e os agentes apreenderam computadores, documentos, dinheiro em espécie (em reais e dólares) e cinco carros de luxo. Diante do impacto desse mercado, especialistas alertam que as apostas digitais podem causar sérios problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e endividamento. Para quem estiver enfrentando momentos de sofrimento emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio psicológico gratuito e totalmente sigiloso pelo telefone 188.

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