sábado, 15 de novembro de 2025
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Trabalhadores bolivianos relatam jornadas de 18 horas e comida racionada em confecção de Rio Preto

Os seis trabalhadores bolivianos resgatados de uma confecção em São José do Rio Preto (SP) relataram à polícia detalhes chocantes sobre as condições em que eram mantidos, após a empregadora ser presa na quarta-feira (5) sob suspeita de trabalho análogo à escravidão.

Os funcionários, que incluíam uma gestante, denunciaram jornadas de trabalho que chegavam a 18 horas por dia, sete dias por semana. O pagamento médio era de apenas R$ 1 mil por casal por mês, ou seja, cerca de R$ 500 por pessoa, e a alimentação era rigidamente controlada.

Os relatos apontam que a empregadora reduzia as refeições quando percebia uma queda na produtividade. Um dos exemplos citados é que ela chegava a oferecer apenas meio pão no café da manhã, justificando que as crianças poderiam se alimentar nas escolas. Além disso, uma das mulheres, que estava em uma gravidez de risco, disse ser impedida de realizar o acompanhamento pré-natal.

Os trabalhadores moravam no mesmo local onde costuravam e relataram sofrer agressões verbais e restrições de saída. Eles também tinham descontos salariais por supostas dívidas impostas pela empregadora na compra de uma televisão e um frigobar.

Os próprios funcionários conseguiram acionar a Polícia Militar, que foi até o local e constatou o crime de trabalho análogo à escravidão e cárcere privado. As famílias foram acolhidas pelo Centro de Referência da Assistência Social (Cras) e levadas para São Paulo.

O caso foi registrado na Central de Flagrantes como redução à condição análoga à de escravo.

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