

Uma forte ventania deixou um rastro de estragos e mortes nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro na tarde da última quarta-feira (30). Em meio ao temporal, estações meteorológicas da capital fluminense chegaram a medir rajadas que alcançaram a velocidade de 105 km/h.

Especialistas explicam que a intensidade dos ventos foi provocada por uma zona de baixa pressão atmosférica associada ao deslocamento de correntes de ar na alta atmosfera. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o fenômeno se formou a partir de uma linha de tempestades alinhadas sobre uma frente fria que avançava pela Região Sul do país. Essa estrutura gerou uma chamada “frente de rajada”, na qual a ventania se desloca rapidamente, precedendo até mesmo a chegada das nuvens de chuva.
Conforme as tempestades se moveram em direção ao norte, perderam força, o que fez com que a chuva chegasse de forma mais branda e isolada em algumas regiões, como no Vale do Paraíba paulista, embora os ventos fortes tenham causado estragos expressivos em diversos pontos dos dois estados.


Apesar da previsão de que o fenômeno El Niño possa ser um dos mais intensos das últimas décadas, meteorologistas do Cemaden, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de universidades estaduais apontam que ainda é cedo para associar diretamente as rajadas ao evento climático global. Embora a presença do El Niño aumente a frequência de frentes frias no Sul do Brasil, especialistas reforçam que linhas de instabilidade e ventanias dessa magnitude podem ocorrer em qualquer época do ano, sendo necessários estudos mais aprofundados para confirmar qualquer relação direta.









