domingo, 10 de maio de 2026

Temer lamenta rejeição de Jorge Messias para o STF e cita clima político

O ex-presidente Michel Temer expressou pesar, nesta quarta-feira, pela decisão do Senado Federal de rejeitar a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a celebração dos 200 anos da Câmara dos Deputados, Temer destacou que conhece Messias desde a época em que ocupava a vice-presidência e elogiou a competência jurídica do indicado, chamando-o de um profissional extremamente preparado. No entanto, o ex-presidente ponderou que o atual ambiente de tensão política no país acaba gerando resultados como o visto no Congresso.

A rejeição de Messias foi um evento histórico, sendo o primeiro caso de um nome descartado pelos senadores para a Suprema Corte em 132 anos. Na votação realizada na última semana, o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve apenas 34 votos favoráveis, enquanto eram necessários ao menos 41 para a aprovação. Temer afirmou que, embora lamente pelo destino pessoal de Messias, respeita a autonomia do Senado, ressaltando que os parlamentares agiram dentro de suas funções legais ao barrar o nome.

Para Temer, a soberania do Legislativo deve ser valorizada, pois é o Parlamento que melhor representa e dá voz à vontade da população brasileira. Ele defendeu que a democracia depende diretamente da força deste Poder, sem o qual as outras esferas do governo não poderiam funcionar plenamente. Essa visão de harmonia entre os poderes foi o tom central de seu discurso na solenidade, mesmo diante de um cenário de derrotas importantes para o governo federal no Senado.

Jorge Messias, que já retomou suas atividades no comando da Advocacia-Geral da União, enfrentou meses de resistência nos bastidores, especialmente de lideranças como o senador Davi Alcolumbre. Após o resultado negativo, Messias desabafou sobre o que chamou de um processo de desconstrução de sua imagem baseado em mentiras, embora não tenha citado nomes diretamente. O episódio agora se encerra com o arquivamento da indicação, obrigando o presidente Lula a buscar um novo nome para a vaga em aberto no Supremo.

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