

O ex-presidente Michel Temer manifestou preocupação com o atual clima de tensão entre integrantes do Judiciário e lideranças políticas. Durante um evento em Itu, no interior de São Paulo, nesta segunda-feira (27), Temer afirmou que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agiu de forma equivocada ao rebater publicamente as críticas feitas pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Para o ex-presidente, a postura de responder a confrontos políticos acaba por oferecer mais munição para novas contestações e demonstra que a polarização que divide o país chegou de vez à Suprema Corte.

O conflito entre as duas autoridades ganhou novos capítulos após Zema, visto como um possível nome para a disputa presidencial, intensificar ataques ao STF em suas redes sociais. Em postagens recentes, o político mineiro utilizou termos fortes, classificando os ministros como uma elite “intocável” que viveria em condições de luxo distantes da realidade da maioria dos brasileiros. A situação escalou quando Gilmar Mendes solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que Zema fosse investigado dentro do inquérito das fake news, após o compartilhamento de um vídeo satírico que envolvia membros do Tribunal e um empresário do setor bancário.
Na avaliação de Temer, a prudência institucional deveria prevalecer para evitar que o Supremo se envolva diretamente em embates partidários. Ele sugeriu que, ao entrar na discussão, o ministro permite que o debate saia da esfera jurídica e se torne uma disputa de argumentos políticos, o que pode desgastar a imagem da instituição. O episódio reflete o delicado equilíbrio de poderes em Brasília, onde críticas de potenciais candidatos ao Planalto têm gerado reações imediatas e rigorosas por parte dos magistrados da Corte.







