

O uso de óculos de realidade virtual tem se tornado um aliado inovador no processo de reabilitação de pacientes em estado grave no Hospital de Base de São José do Rio Preto. Um exemplo marcante desse avanço é o caso de Raphaela Alves, moradora de Cuiabá (MT), que viajou para o interior paulista para tratar uma doença hepática grave. Após passar por um transplante de fígado em janeiro de 2026, a paciente iniciou um protocolo de fisioterapia que utiliza a tecnologia para tornar o ambiente hospitalar menos intimidador e acelerar sua volta às atividades cotidianas.

Durante as sessões na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os óculos permitem que o paciente experimente um “teletransporte sensorial”, trocando o cenário impessoal do hospital por paisagens relaxantes, como praias ou montanhas. Para Raphaela, a experiência foi além do aspecto clínico e tocou o lado emocional, proporcionando uma sensação de retorno ao lar ao visualizar estradas que lembravam a serra próxima à sua cidade natal. Segundo a paciente, a imersão visual gera um alívio imediato e diminui a preocupação constante com o estado de saúde, facilitando a execução dos exercícios físicos necessários.
Do ponto de vista médico, a integração da realidade virtual com dispositivos de eletroestimulação combate a chamada síndrome da imobilidade, um problema comum em internações prolongadas que pode causar a perda de até 3% da força muscular por dia. De acordo com o fisioterapeuta Marcus Vinicius Camargo de Brito, a tecnologia aumenta a dedicação do paciente ao tratamento e permite que as sessões sejam mais longas e produtivas. Esse estímulo extra é fundamental para que o sistema neuromuscular seja ativado precocemente, o que resulta em uma recuperação mais ágil e eficiente.
Os benefícios dessa abordagem tecnológica refletem-se também na gestão hospitalar e na segurança do próprio paciente. Com a otimização da fisioterapia, o tempo de permanência na UTI e no hospital é reduzido significativamente, o que diminui os riscos de infecções hospitalares e o uso excessivo de antibióticos. A experiência bem-sucedida em Rio Preto demonstra como a humanização do atendimento, aliada a recursos digitais de ponta, pode transformar a jornada de recuperação em casos complexos de transplante, devolvendo a autonomia e a qualidade de vida de forma mais rápida.









