

O Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de São José do Rio Preto, no interior paulista, atingiu um marco na medicina regional ao realizar a primeira cirurgia pediátrica utilizando a tecnologia ECMO, sigla para Oxigenação por Membrana Extracorpórea. O equipamento funciona como um pulmão e um coração artificiais fora do corpo do paciente, assumindo temporariamente as funções desses órgãos durante procedimentos médicos de extrema gravidade. Com a novidade, a instituição se torna a única de toda a região a disponibilizar o recurso especializado para o público infantil.

Para dar início ao serviço, o hospital investiu cerca de R$ 1 milhão na compra de duas máquinas. A conquista foi viabilizada graças ao apoio da solidariedade, com doações financeiras expressivas feitas pela dupla sertaneja Zé Neto & Cristiano e pelo cantor Panda. O investimento contínuo na tecnologia é um desafio, já que o tratamento exige insumos descartáveis de alto custo, com kits que chegam a custar R$ 68 mil por paciente, tornando o apoio da sociedade e as ações beneficentes essenciais para a manutenção dos atendimentos.
O primeiro paciente a se beneficiar da inovação foi o menino Arthur Henrique Morais, de 11 anos, que precisou passar por uma cirurgia complexa para reconstruir a traqueia após sofrer um grave acidente. No caso dele, o aparelho atuou especificamente como um pulmão artificial, permitindo que a equipe médica deixasse o órgão do garoto totalmente em repouso durante a operação. Sem esse suporte moderno, os médicos teriam que interromper a respiração do paciente várias vezes ao longo do procedimento, o que elevaria bastante os riscos de complicações e danos à saúde.


A cirurgia foi conduzida pelas equipes de Cirurgia Torácica do HCM e da CardioPedBrasil, e o resultado foi comemorado pela família. O pai do garoto, Valdeir de Morais, expressou alívio e gratidão pela recuperação do filho, destacando que o uso da tecnologia permitiu que Arthur voltasse para casa praticamente sem sequelas. O diretor técnico do HCM, Otávio Domingues Prado Franco, ressaltou que a chegada do equipamento representa uma descentralização da medicina de alta complexidade, trazendo para o interior do estado o que há de mais moderno e seguro no país em termos de assistência hospitalar.







