sexta, 24 de abril de 2026

Tecnologia da USP foi utilizada pela NASA para monitorar sono de astronautas na Missão Artemis II

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) cruzou as fronteiras da Terra para auxiliar a NASA em sua mais recente jornada espacial. Os astronautas da Missão Artemis II utilizaram um equipamento brasileiro chamado actígrafo para monitorar a qualidade do sono e os ritmos biológicos durante o histórico sobrevoo lunar. O dispositivo, que se assemelha a um relógio de pulso, foi criado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) sob a coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em estudos do sono.

O aparelho funciona registrando continuamente os movimentos do corpo, a intensidade da iluminação e a exposição à luz azul, elementos fundamentais para regular o relógio interno do ser humano. Em um ambiente extremo como o espaço, onde não existe o ciclo natural de dia e noite da Terra, entender como o corpo se comporta é vital para garantir que a tripulação mantenha a saúde e o desempenho necessários para a segurança da missão. Além do uso espacial, os dados colhidos por essa tecnologia ajudam cientistas a compreenderem melhor os distúrbios do sono em solo terrestre, podendo servir de base para a criação de novas políticas públicas de saúde.

O desenvolvimento do actígrafo começou dentro dos laboratórios da USP e contou com o apoio da FAPESP por meio de programas voltados à inovação. Com o avanço das pesquisas, o equipamento foi aperfeiçoado e passou a ser produzido pela empresa Condor Instruments, ganhando a confiança da agência espacial americana. A escolha da tecnologia brasileira para integrar a Artemis II destaca o reconhecimento internacional da ciência produzida no Brasil, especialmente em uma missão que quebrou recordes de distância, levando seres humanos a mais de 406 mil quilômetros da Terra.

A Missão Artemis II não foi marcada apenas pelo monitoramento do sono, mas também por avanços em outras frentes tecnológicas, como o uso de lasers para transmitir vídeos e dados científicos em alta velocidade. Enquanto a nave Orion superava a marca histórica estabelecida pela Apollo 13 em 1970, a tecnologia da USP garantia que as informações sobre o bem-estar dos astronautas fossem registradas com precisão. Esse intercâmbio científico reforça como inovações acadêmicas podem contribuir para os desafios da exploração espacial e para a melhoria da qualidade de vida da população em geral.

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