

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) cruzou as fronteiras da Terra para auxiliar a NASA em sua mais recente jornada espacial. Os astronautas da Missão Artemis II utilizaram um equipamento brasileiro chamado actígrafo para monitorar a qualidade do sono e os ritmos biológicos durante o histórico sobrevoo lunar. O dispositivo, que se assemelha a um relógio de pulso, foi criado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) sob a coordenação do professor Mario Pedrazzoli, especialista em estudos do sono.

O aparelho funciona registrando continuamente os movimentos do corpo, a intensidade da iluminação e a exposição à luz azul, elementos fundamentais para regular o relógio interno do ser humano. Em um ambiente extremo como o espaço, onde não existe o ciclo natural de dia e noite da Terra, entender como o corpo se comporta é vital para garantir que a tripulação mantenha a saúde e o desempenho necessários para a segurança da missão. Além do uso espacial, os dados colhidos por essa tecnologia ajudam cientistas a compreenderem melhor os distúrbios do sono em solo terrestre, podendo servir de base para a criação de novas políticas públicas de saúde.
O desenvolvimento do actígrafo começou dentro dos laboratórios da USP e contou com o apoio da FAPESP por meio de programas voltados à inovação. Com o avanço das pesquisas, o equipamento foi aperfeiçoado e passou a ser produzido pela empresa Condor Instruments, ganhando a confiança da agência espacial americana. A escolha da tecnologia brasileira para integrar a Artemis II destaca o reconhecimento internacional da ciência produzida no Brasil, especialmente em uma missão que quebrou recordes de distância, levando seres humanos a mais de 406 mil quilômetros da Terra.
A Missão Artemis II não foi marcada apenas pelo monitoramento do sono, mas também por avanços em outras frentes tecnológicas, como o uso de lasers para transmitir vídeos e dados científicos em alta velocidade. Enquanto a nave Orion superava a marca histórica estabelecida pela Apollo 13 em 1970, a tecnologia da USP garantia que as informações sobre o bem-estar dos astronautas fossem registradas com precisão. Esse intercâmbio científico reforça como inovações acadêmicas podem contribuir para os desafios da exploração espacial e para a melhoria da qualidade de vida da população em geral.









