sábado, 4 de julho de 2026

SUS inicia projeto-piloto com ‘caneta emagrecedora’ para tratar obesidade grave

O Ministério da Saúde anunciou, nesta sexta-feira, dia 26 de junho de 2026, o início de um projeto-piloto para oferecer a semaglutida a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A substância é o princípio ativo dos medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O estudo inicial será realizado no Rio Grande do Sul e vai acompanhar pessoas atendidas pelo Grupo Hospitalar Conceição, com o objetivo de avaliar a eficiência, as melhorias na saúde dos pacientes e os custos desse tratamento na rede pública de saúde.

O programa vai beneficiar 250 pacientes que já fazem acompanhamento médico na instituição gaúcha. O público-alvo é composto por pessoas que sofrem de obesidade grave ou que têm o peso associado a outras doenças perigosas, como problemas no coração, e que possuem indicação para passar por uma cirurgia bariátrica. O Ministério da Saúde explicou que esse grupo foi escolhido porque reflete o perfil do hospital, onde a grande maioria dos pacientes com obesidade apresenta a forma mórbida da doença, mas menos da metade deles tem condições de saúde adequadas para enfrentar uma cirurgia. Além disso, a pressão alta é o problema de saúde mais comum entre essas pessoas.

Durante os próximos dois anos, os pesquisadores vão monitorar de perto vários indicadores importantes para entender como a medicação pode ser integrada à realidade do SUS. Entre os pontos analisados estão a porcentagem de perda de peso de cada indivíduo, a melhora na qualidade de vida, as taxas dos exames de laboratório, as condições de saúde após cirurgias e os gastos financeiros gerais envolvidos no processo. O financiamento desta pesquisa acontecerá por meio de recursos repassados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com verbas que têm origem em um aporte da própria fabricante do remédio.

Para fazer parte do projeto, os pacientes precisam preencher requisitos específicos além do acompanhamento no hospital. É necessário ter o diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano e comprovar que os tratamentos tradicionais — como dietas orientadas e exercícios físicos regulares praticados por no mínimo dois meses — não funcionaram. Os selecionados também devem ter total capacidade de entender as instruções e aplicar a injeção em si mesmos ou possuir um cuidador responsável que faça esse procedimento.

A iniciativa marca um novo passo na discussão sobre esses medicamentos na rede pública. Em agosto do ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) havia recomendado que o governo não adotasse a semaglutida e a liraglutida no catálogo de remédios distribuídos pelo SUS após um pedido feito pela farmacêutica fabricante. Na ocasião, o principal motivo para a recusa foi o alto impacto financeiro, estimado em cerca de 8 bilhões de reais por ano para os cofres públicos brasileiros.

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