terça, 4 de agosto de 2026

SUS estuda incluir injeção bimestral de prevenção ao HIV ainda este ano

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode passar a oferecer, ainda neste ano, uma nova opção de prevenção ao contágio pelo HIV baseada em injeções bimensais. O Ministério da Saúde prepara para os próximos dias o envio da solicitação de incorporação do medicamento cabotegravir à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O órgão é responsável por avaliar a viabilidade técnica e financeira de novos tratamentos antes que passem a compor a rede pública de saúde.

A escolha pelo cabotegravir, desenvolvido pela farmacêutica GSK, ocorreu após negociações que garantiram um valor compatível com o orçamento público. A decisão contrasta com a situação de outro preventivo injetável, o lenacapavir — aplicado a cada seis meses —, cuja proposta comercial da fabricante Gilead foi considerada inviável pelo governo brasileiro devido aos altos custos exigidos para o mercado nacional. A exclusão do Brasil dos acordos de licenciamento para produção de genéricos do lenacapavir gerou críticas de entidades internacionais, como a Unaids, enquanto a empresa farmacêutica afirma buscar parcerias com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para viabilizar transferência de tecnologia no futuro.

Atualmente, o SUS já disponibiliza a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) em formato de comprimidos de uso diário, método que atende mais de 350 mil usuários no país. No entanto, a versão injetável surge como uma alternativa para aumentar a adesão ao tratamento preventivo. Pesquisas coordenadas pela Fiocruz demonstraram que mais de 80% dos participantes preferem as aplicações periódicas à rotina diária de medicação oral, atingindo altos índices de assiduidade nas doses e proteção integral contra a infecção pelo vírus.

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