sexta, 31 de julho de 2026

SUS adquire tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a ganhar um reforço histórico em sua política de combate ao HIV. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) finalizou o processo de transferência de tecnologia para produzir de forma 100% nacional o dolutegravir, o principal medicamento antirretroviral distribuído gratuitamente no país. Atualmente, mais de 770 mil brasileiros que vivem com o vírus dependem diariamente desse remédio, que agora passará a ser fabricado em solo nacional assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitir a liberação oficial.

A conquista é fruto de uma parceria firmada em 2020 entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz e a empresa ViiV Healthcare, pertencente à biofarmacêutica GSK, desenvolvedora original da fórmula. Nos últimos anos, Farmanguinhos realizou uma série de investimentos para modernizar sua fábrica, comprar maquinários avançados e capacitar suas equipes técnicas. O esforço permitiu que a instituição assumisse todo o rigoroso processo de produção e controle de qualidade do fármaco, que antes dependia exclusivamente de laboratórios estrangeiros.

Desde 2022, a Fiocruz já realizava a distribuição do dolutegravir no Brasil, mas utilizando comprimidos importados das fábricas da parceira internacional, somando mais de 739 milhões de unidades entregues à rede pública. Agora, três lotes fabricados inteiramente no Brasil já passaram pelas validações internas do instituto e estão prontos para distribuição. Paralelamente, os cientistas de Farmanguinhos trabalham no refino metodológico do ingrediente farmacêutico ativo para as próximas etapas do projeto, que também prevê a produção nacional da versão combinada do dolutegravir com a lamivudina já no próximo ano.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a melhor opção de tratamento devido à sua alta eficácia e poucos efeitos colaterais, o dolutegravir atua impedindo que o vírus se multiplique dentro das células de defesa do corpo humano. Ao controlar a carga viral e mantê-la em níveis indetectáveis, o medicamento fortalece a imunidade do paciente e evita que a infecção evolua para a aids. Com a fabricação nacional, o Brasil assegura uma autonomia estratégica fundamental para o SUS, garantindo o tratamento contínuo de milhares de pessoas e reduzindo a dependência do mercado externo.

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