


As diretrizes para o diagnóstico e tratamento de alterações na tireoide durante a gestação sofreram importantes revisões no Brasil. Em alinhamento com estudos científicos internacionais recentes, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia anunciaram as novas recomendações nesta sexta-feira (28), durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no Rio de Janeiro.

A principal mudança refere-se ao uso preventivo de medicamentos hormonais sintéticos. A partir de agora, gestantes que apresentam o anticorpo Anti-TPO positivo, mas mantêm o funcionamento normal da tireoide e níveis adequados do hormônio T4, não devem mais receber tratamento com levotiroxina. Três grandes levantamentos recentes comprovaram que a administração preventiva do remédio nesses casos não diminui os riscos de parto prematuro ou de abortamento. Apesar de dispensar a medicação, a paciente deve manter o acompanhamento periódico, uma vez que a presença do anticorpo indica maior probabilidade de desenvolvimento futuro de hipotireoidismo.
Outro ponto revisado envolve o hipotireoidismo subclínico, caracterizado pela elevação do hormônio TSH com manutenção do T4 normal. A indicação de tratamento passa a focar prioritariamente nos três primeiros meses de gravidez, fase decisiva em que o feto depende dos hormônios maternos para seu desenvolvimento. Caso a alteração leve seja identificada no segundo ou terceiro trimestre, a recomendação passa a ser apenas o monitoramento contínuo, sem a introdução imediata de medicação, a menos que as taxas de TSH ultrapassem níveis críticos.


O Brasil optou por manter divergências pontuais em relação ao guia norte-americano da Associação Americana da Tireoide. O país preservará a estratégia de triagem universal, testando todas as gestantes no início do pré-natal para evitar o diagnóstico tardio de disfunções. Além disso, os médicos brasileiros não aguardarão semanas para repetir os exames antes de iniciar a terapia quando necessária, visando garantir a rapidez do atendimento na rede de saúde. A suplementação de iodo também continuará sendo feita de forma personalizada apenas para mulheres com restrições alimentares severas, aproveitando o benefício da iodação obrigatória do sal de cozinha no país.







