sexta, 14 de agosto de 2026

Sobrecarga do trabalho doméstico e dependência emocional ampliam a vulnerabilidade das mulheres à violência

A responsabilidade histórica sobre o cuidado com filhos, familiares e a organização do lar é um dos fatores centrais que tornam as mulheres mais vulneráveis à violência de gênero no Brasil. No dia em que a Lei Maria da Penha celebra 20 anos, especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que a sobrecarga do trabalho não remunerado, associada às dependências financeira e emocional, cria um ambiente favorável ao ciclo de agressões, dificultando que as vítimas consigam rompe-lo e buscar ajuda.

A dupla jornada feminina exige, em média, 21,3 horas semanais dedicadas a afazeres domésticos e cuidados com pessoas, quase o dobro do tempo investido pelos homens na mesma função. Esse isolamento no ambiente privado afeta com maior intensidade as mulheres negras e compromete a autonomia financeira e social das vítimas. Para conter essa disparidade, especialistas destacam a relevância de políticas públicas voltadas ao setor do cuidado, medidas capazes de proporcionar redes de apoio, acesso à renda e espaços de acolhimento que fortaleçam as mulheres no combate às agressões cotidianas.

A dependência psicológica também atua como uma barreira invisível, fazendo com que muitas mulheres permaneçam em relacionamentos abusivos sob a falsa percepção de incapacidade, mesmo quando possuem renda própria. A perpetuação de estereótipos patriarcais ainda impõe um estigma social àquelas que tentam reverter o cenário. Em um contexto em que o país registrou 1.571 feminicídios em 2025, órgãos de proteção reforçam que a violência doméstica não é uma questão privada e lembram a importância dos canais de denúncia públicos, como o Ligue 180 e o atendimento emergencial da Polícia Militar pelo 190.

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