

A seleção do Irã finalmente pisou no gramado para a sua aguardada estreia na Copa do Mundo em solo norte-americano, deixando de lado, ao menos por 90 minutos, os meses de fortes tensões geopolíticas e incertezas. Em uma partida eletrizante disputada em Los Angeles, os iranianos empataram por 2 a 2 com a Nova Zelândia pelo Grupo G. Com o resultado, as duas equipes dividem temporariamente a liderança da chave pelo critério de gols marcados, já que Bélgica e Egito empataram por 1 a 1 em Seattle no início do dia. Todos os quatro times somam um ponto, mantendo vivo o sonho de asiáticos e neozelandeses de conquistarem uma classificação inédita para as oitavas de final.

A partida era cercada de enorme expectativa extracampo devido ao conflito armado entre o Irã e os Estados Unidos, país que sedia os três jogos da primeira fase da equipe asiática após a Fifa negar o pedido para transferir os duelos para o México. Mesmo com um cessar-fogo de 60 dias anunciado na véspera do jogo, a crise política prejudicou severamente a preparação do Irã. Jogadores e comissão técnica enfrentaram enorme burocracia para obter vistos, e o presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a declarar publicamente que a presença da equipe no torneio não seria “apropriada”. O imbróglio sobrou até para o craque Sardar Azmoun, terceiro maior goleador da história do país, que ficou fora da Copa após aparecer em fotos com autoridades dos Emirados Árabes Unidos, país aliado de Washington.
A rotina da delegação iraniana tem sido digna de um filme de espionagem. Hospedados em Tijuana, no México, os atletas só receberam autorização do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos para cruzar a fronteira um dia antes do jogo e são obrigados a deixar o território norte-americano logo no dia seguinte à partida. Para completar o clima de tensão, ativistas da comunidade persa realizaram protestos nos arredores do estádio antes do apito inicial, carregando bandeiras antigas da época anterior à Revolução Islâmica de 1979 — símbolo proibido pela Fifa, mas que entrou nas arquibancadas — para protestar contra o atual regime de Teerã.


Quando a bola rolou, o que se viu foi um duelo franco e muito ofensivo. A Nova Zelândia abriu o placar logo aos seis minutos de jogo, quando o atacante Chris Wood serviu o meia Elijah Just, que finalizou sem dar chances de defesa. O Irã reagiu e buscou o empate aos 32 minutos com o lateral Ramin Rezaeian, que aproveitou uma sobra na pequena área. Os iranianos chegaram a virar a partida nos acréscimos do primeiro tempo, mas o gol foi anulado por um impedimento claro.
Na etapa final, o roteiro se repetiu. A Nova Zelândia voltou a ficar na frente aos nove minutos, novamente com Elijah Just completando um contra-ataque rápido armado por Wood. A resposta asiática foi imediata: apenas nove minutos depois, Rezaeian acertou um cruzamento perfeito para Mohammad Mohebi cabecear para o fundo das redes, selando o placar em 2 a 2. O ritmo diminuiu com as substituições no fim, e o empate acabou prevalecendo. O Irã volta a campo no domingo para enfrentar a Bélgica novamente em Los Angeles, enquanto a Nova Zelândia viaja até o Canadá para encarar a seleção do Egito em Vancouver.







