sábado, 14 de março de 2026

Síndica de Araçatuba confessa falsificação de assinaturas em projeto de energia solar

Uma investigação da Polícia Civil de Araçatuba resultou no indiciamento da síndica de um residencial no bairro Umuarama, após a confirmação de que assinaturas de moradores foram falsificadas em uma assembleia do condomínio. O caso, concluído pelo delegado Pedro Paulo Negri na última sexta-feira (20), apurava irregularidades na aprovação de um sistema de energia fotovoltaica orçado em R$ 209 mil. A fraude foi descoberta quando condôminos notaram nomes de proprietários que sequer estavam na cidade no dia da votação, o que levou à abertura de um boletim de ocorrência em dezembro de 2025.

De acordo com o inquérito policial, a síndica admitiu em depoimento que inseriu declarações falsas na ata e na lista de presença da assembleia. Ela confessou ter assinado por moradores que não compareceram ao ato e que não haviam manifestado vontade de votar, sob a justificativa de que não possuía um controle efetivo do procedimento. Embora a mulher tenha chegado a mencionar durante as investigações que metade das assinaturas do condomínio — composto por 832 apartamentos — poderia ter sido forjada por ela, o relatório final não confirmou o número exato de vítimas, focando nas provas periciais que atestaram a autoria das falsificações em nomes específicos citados no documento.

A farsa começou a ser desvendada por meio da contadora Adriana Martins, proprietária de uma das unidades, que reside fora de Araçatuba. Vizinhos estranharam ao ver o nome de Adriana na lista de presença e a questionaram se ela havia viajado para participar da reunião. Ao confirmar que não esteve presente, a proprietária buscou orientação jurídica e denunciou o caso às autoridades. O delegado responsável destacou que a conduta da síndica teve o objetivo de criar uma obrigação financeira de alto valor para o condomínio, alterando a verdade sobre a aprovação de um investimento que impactaria todos os moradores.

Agora que o inquérito foi relatado, a síndica responde formalmente pelo crime de falsidade ideológica. O próximo passo do processo cabe ao Ministério Público, que analisará todas as provas e depoimentos para decidir se apresentará uma denúncia formal à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, a mulher poderá enfrentar um processo criminal pelas irregularidades cometidas na gestão do residencial. Até o fechamento desta reportagem, a defesa da indiciada não havia se manifestado sobre as conclusões da polícia.

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