

Uma investigação da Polícia Civil de Araçatuba resultou no indiciamento da síndica de um residencial no bairro Umuarama, após a confirmação de que assinaturas de moradores foram falsificadas em uma assembleia do condomínio. O caso, concluído pelo delegado Pedro Paulo Negri na última sexta-feira (20), apurava irregularidades na aprovação de um sistema de energia fotovoltaica orçado em R$ 209 mil. A fraude foi descoberta quando condôminos notaram nomes de proprietários que sequer estavam na cidade no dia da votação, o que levou à abertura de um boletim de ocorrência em dezembro de 2025.

De acordo com o inquérito policial, a síndica admitiu em depoimento que inseriu declarações falsas na ata e na lista de presença da assembleia. Ela confessou ter assinado por moradores que não compareceram ao ato e que não haviam manifestado vontade de votar, sob a justificativa de que não possuía um controle efetivo do procedimento. Embora a mulher tenha chegado a mencionar durante as investigações que metade das assinaturas do condomínio — composto por 832 apartamentos — poderia ter sido forjada por ela, o relatório final não confirmou o número exato de vítimas, focando nas provas periciais que atestaram a autoria das falsificações em nomes específicos citados no documento.
A farsa começou a ser desvendada por meio da contadora Adriana Martins, proprietária de uma das unidades, que reside fora de Araçatuba. Vizinhos estranharam ao ver o nome de Adriana na lista de presença e a questionaram se ela havia viajado para participar da reunião. Ao confirmar que não esteve presente, a proprietária buscou orientação jurídica e denunciou o caso às autoridades. O delegado responsável destacou que a conduta da síndica teve o objetivo de criar uma obrigação financeira de alto valor para o condomínio, alterando a verdade sobre a aprovação de um investimento que impactaria todos os moradores.
Agora que o inquérito foi relatado, a síndica responde formalmente pelo crime de falsidade ideológica. O próximo passo do processo cabe ao Ministério Público, que analisará todas as provas e depoimentos para decidir se apresentará uma denúncia formal à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, a mulher poderá enfrentar um processo criminal pelas irregularidades cometidas na gestão do residencial. Até o fechamento desta reportagem, a defesa da indiciada não havia se manifestado sobre as conclusões da polícia.









