segunda, 8 de junho de 2026

Servidores acusados de ataque hacker em Rio Preto usavam cargos para beneficiar empresas de esposas, diz MP

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou novos e graves detalhes sobre o escândalo envolvendo a Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro) e a Prefeitura de São José do Rio Preto. De acordo com informações divulgadas pela promotoria nesta quarta-feira, dia 3 de junho, os servidores municipais que já eram investigados por participação em um ataque cibernético contra a administração pública em 2025 também são acusados de usar seus cargos públicos para favorecer empresas que estavam registradas em nome de suas próprias esposas. A acusação aponta que o grupo manipulava dados e alterava os sistemas de informação da autarquia municipal com o claro objetivo de obter vantagens financeiras indevidas.

Diante da gravidade da situação, além do andamento da denúncia criminal, o Ministério Público fez um pedido formal à Justiça para que determine o bloqueio imediato de bens, veículos e contas bancárias dos acusados e das empresas que estão sob investigação, buscando garantir a recuperação do patrimônio público. Toda essa ação corre sob sigilo judicial. O caso é um desdobramento direto do ataque de hackers que paralisou a Empro e a prefeitura entre os dias 5 e 11 de junho de 2025. Naquele período, os sistemas municipais ficaram completamente fora do ar por seis dias, o que prejudicou gravemente serviços essenciais para a população, como os atendimentos nos postos de saúde, o andamento de processos e os canais de comunicação da administração. Na época do ataque, os criminosos chegaram a exigir um resgate de aproximadamente R$ 500 mil em criptomoedas para devolver o acesso aos dados da cidade.

Os três servidores envolvidos no esquema já haviam sido denunciados anteriormente pela promotora de Justiça Ana Carolina Macri Morais pelos crimes de associação criminosa, invasão de aparelhos de informática e inserção de informações falsas no sistema do município. O caso avançou após a realização da Operação Caim, liderada pela Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic), que apreendeu computadores, celulares e aparelhos eletrônicos que serviram de prova para as investigações.

A Prefeitura de Rio Preto informou que uma apuração interna continua em andamento para avaliar a conduta dos funcionários na esfera administrativa. O governo municipal também comunicou que um dos profissionais denunciados pediu demissão e se desligou da Empro no ano passado, enquanto os outros dois servidores foram suspensos de suas funções logo no início das investigações. Agora, o caso está nas mãos do Poder Judiciário, que vai decidir se aceita ou não a denúncia. Se a Justiça concordar com os argumentos apresentados pelo Ministério Público, os investigados se tornarão réus oficiais e enfrentarão um processo penal.

Notícias relacionadas