

O processo para parar de fumar exige superação física e emocional, já que a dependência da nicotina é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma doença ligada ao sistema de recompensa do cérebro. No Brasil, onde cerca de 9,3% da população é fumante e o tabagismo causa aproximadamente 20 mortes por hora, o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP vem ampliando o combate ao vício por meio do atendimento remoto. O serviço de telemedicina da instituição oferece suporte especializado para quem deseja interromper o consumo de cigarro e outros dispositivos com nicotina.

O tratamento gratuito é integrado às diretrizes do Sistema Único de Saúde, que disponibiliza acompanhamento para dependentes químicos em unidades públicas de todo o país. No Incor, os pacientes passam por uma triagem detalhada para mapear seus hábitos antes de definirem se preferem o formato presencial ou as sessões virtuais. A modalidade on-line utiliza a Terapia Cognitivo-Comportamental em grupos formados por até 15 pessoas, contando com quatro encontros semanais focados em estratégias de mudança de comportamento e manejo do estresse.
A eficácia do acompanhamento à distância foi comprovada por uma pesquisa realizada pelo próprio instituto entre 2021 e 2023 com 154 participantes. O levantamento revelou quedas expressivas no consumo de tabaco logo nas primeiras reuniões virtuais, mostrando que a tecnologia pode ser uma aliada importante contra o ganho de apelo da nicotina entre o público jovem. Especialistas reforçam que a combinação de informação, acolhimento especializado e inovação no acesso à saúde é o caminho mais seguro para reduzir as mortes e os danos causados pelo cigarro.









