

O plenário do Senado Federal sediou, nesta quarta-feira (1º), uma audiência pública marcada por intensos debates entre representantes do governo, da oposição, do setor empresarial e de centrais sindicais sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso, conhecida como escala 6×1. O projeto, que propõe reduzir o limite de trabalho semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de folga sem redução nos salários, estava travado há mais de um mês na mesa do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Enquanto os defensores da medida focam na saúde e no bem-estar dos trabalhadores, as lideranças patronais alertam para os riscos de aumento de custos e prejuízos à economia nacional.

Do lado dos empresários e de parlamentares da oposição, as críticas à proposta foram contundentes. Os líderes de setores como o comércio, a indústria e os transportes argumentam que uma alteração desse porte na legislação trabalhista pode pesar no orçamento das empresas e desestimular a atividade econômica. A visão defendida por esse grupo é de que a definição das jornadas deveria ocorrer por meio de acordos diretos entre patrões e empregados, sem a interferência de uma lei rígida. Representando o comércio paulista, Ivo Dall’Acqua sinalizou que o foco do país deveria ser o aumento da produtividade antes de se discutir a redistribuição de riquezas. Seguindo essa linha de cautela, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, defendeu um projeto alternativo que preserva a escala atual e sugeriu que a votação seja adiada para depois das eleições de outubro, evitando o uso político do tema. Já o presidente da Confederação Nacional do Transporte, Vander Costa, sugeriu que, caso a medida avance, seja adotada uma transição bem mais lenta do que a aprovada na Câmara — que prevê 60 dias para o fim do 6×1 e 14 meses para a adequação das horas —, propondo a redução de apenas uma hora de trabalho por ano.
Por outro lado, integrantes do governo federal e líderes sindicais contestaram os temores do empresariado, minimizando os impactos financeiros da mudança. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, comparou os custos estimados da PEC aos efeitos de um reajuste real do salário mínimo, destacando que a economia brasileira tem capacidade de absorver o impacto sem gerar desemprego ou inflação fora do controle. Boulos alertou para os graves impactos humanos da atual carga de trabalho, citando que o país registrou 4,1 milhões de afastamentos médicos temporários em 2025, um salto de 15% em relação ao ano anterior devido ao esgotamento físico e mental dos profissionais. Na mesma linha, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, ressaltou o direito ao lazer e à convivência familiar, lembrando o desgaste extra que milhões enfrentam diariamente no transporte público. Como uma forma de mitigar o impacto sobre os pequenos negócios, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, defendeu a divisão dos ganhos econômicos com a classe trabalhadora e mencionou um projeto enviado pelo Executivo ao Congresso que amplia o limite de faturamento e permite que os microempreendedores individuais contratem até dois funcionários.










