

Em entrevista exclusiva ao portal regiaonoroeste.com, a secretária de Educação, Valdete Magalhães, aceitou o desafio de responder a algumas das perguntas que não puderam ser feitas durante a sabatina na sessão da Câmara Municipal da última terça-feira, dia 3. O tempo limitado pela presidência impediu que os vereadores Étore Baroni, Afonso Pessuto e Daniel Domenicis questionassem a secretária sobre assuntos importantes relacionados à sua atuação perante os professores e a secretaria.

A equipe de jornalismo do portal teve acesso à relação de perguntas que seriam apresentadas à secretária e, em uma entrevista realizada na tarde desta quarta-feira, Valdete Magalhães se propôs a respondê-las. O objetivo é que a população tenha acesso às informações sobre a Secretaria Municipal de Educação.
Confira a entrevista:


RN: O que levou a Senhora Secretária a “maltratar” os professores no primeiro dia de planejamento? Sendo que o atraso dos professores para voltar ao assento se deu pela má-organização do pessoal da Secretaria Municipal de Educação, que não percebeu que o Teatro não comportava a quantidade de profissionais, e a quantidade de banheiros era insuficiente, sem contar a falta de um bebedouro de água?
Valdete: “Eu não estava na organização, mas a condução dela [da organização], na minha ótica, foi feita de forma clara e adequada para que fluísse normalmente. Em relação a ‘maltratar’ – o fato de você falar a respeito da quantidade de educadores – a minha interpretação, e foi por isso exatamente por isso que me desculpei, é que não acreditei que aquela fala fosse rude. Por isso, pedi perdão. Jamais chamaria a atenção de alguém de forma desrespeitosa. Eles são mais velhos que eu na profissão e só tenho a agradecer. Quanto à organização futura, pode ter certeza de que os mesmos erros não cometerei. Outros, infelizmente, podem ocorrer, pois eu me esforço muito para não errar e fico muito chateada. Agradeci ao vereador por me chamar à Câmara para falar, pois foi uma forma de conseguir me expressar.”
RN: Antes da senhora assumir o cargo, o secretário interino era o servidor Washington Pessuto, um profissional respeitadíssimo na Prefeitura. Por qual motivo a senhora o proibiu de participar desse evento no Teatro Municipal, já que ele, sim, era o secretário de fato e a senhora não? Pelo que sabemos, depois de muitas críticas contra a sua atuação, ele apareceu no último dia de evento.
Valdete: “Há alguma informação diferente. Eu não proibi, de forma alguma. Na verdade, ele não esteve lá no dia do planejamento porque a prefeitura estava no CAUC (Cadastro Único de Convênios), por conta de um documento que deveria ter sido preenchido no início de janeiro, referente à função do secretário, e que não havia sido preenchido em tempo hábil. A Prefeitura permaneceu no CAUC durante janeiro e meados de fevereiro. Após minha ida a um evento, consegui assessoria da UNDIME e, graças a Deus, realizei os trâmites corretos para regularizar a situação. Portanto, não houve proibição, mas sim um compromisso dele com a função de secretário; ele estava como secretário e eu não poderia interferir.”
RN: A não renovação do processo seletivo de professores ocorreu já quando a senhora estava no cargo de Secretária. Por que não houve essa renovação? Quem era responsável por essa renovação? Cite o nome ou nomes.
Valdete: “Ela deveria ter sido feita em janeiro. Inclusive, quando fizemos a transição, a secretária Lucimara deixou claro que ela não poderia fazer isso e que deveria ser feito em janeiro. E, assim, digo a você que foi uma inexperiência nossa. De forma alguma, eu poderia dizer que foi culpa de alguém, mas realmente aconteceu. Deveria ter sido feita em janeiro, no máximo em fevereiro, mas eu ainda estava correndo atrás do CAUC, pois a prefeitura ainda estava inadimplente.”
RN: É verdade que a senhora teve que solicitar ajuda da ex-secretária Lucimara para concluir a renovação de um convênio que corria risco de perder? A senhora não tinha conhecimento sobre como proceder na renovação desse convênio?
Valdete: “Sim, eu pedi ajuda à ex-secretária porque, como eu disse, não tenho nenhuma prática no setor público municipal e não tinha conhecimento para lidar com os programas do governo. Eu solicitei que ela viesse para cá, mas aqui, infelizmente, quem fazia essa atividade não era ela, era uma outra pessoa. Então, nesse quesito, senti-me sozinha e pesquisamos juntas, na verdade.”
RN: A senhora se autoavalia superior a qualquer outra secretária que já passou pela administração pública em Fernandópolis? A senhora se sente perfeita como gestora da Educação Municipal?
Valdete: “De forma alguma. Eu nunca tive um contato direto com as outras secretárias. No entanto, gostaria de citar uma secretária que, para mim, foi excepcional, principalmente na vinda da ETEC para cá: Adriana Merlotti. Ela foi uma pessoa sensacional. Eu tinha a Adriana como um parâmetro, ela me auxiliou a implantar a ETEC, ela foi perfeita. Se eu tivesse que dizer, não sei como ela foi [em termos de gestão geral], não tenho essa função de avaliar secretárias, mas tenho uma admiração enorme por ela. Minha relação com os outros secretários foi muito restrita; meu contato era mais com o prefeito por conta do convênio da ETEC e da parceria com a prefeitura.”
RN: Sobre a conquista recente de um recurso do deputado Fausto Pinato para apoiar um programa que beneficiará crianças com autismo no município, um recurso de R$ 14 milhões que será investido junto ao Hospital de Amor. Como a senhora avalia essa notícia ou esse fato?
Valdete: “Eu quero que isso aconteça. Minha fala tem essa conotação: eu quero que isso aconteça amanhã, porque estamos carentes de atendimento aos alunos. Não existe a possibilidade de nosso sistema atual oferecer atendimento a uma grande gama de alunos que apresentam algum tipo de deficiência. Então, quando aquele professor disse que o aluno chegou ao sexto ano sem laudo e sem ser alfabetizado, é isso que o deputado está fazendo; vai nos auxiliar a não ter mais essa ocorrência. Porque se o aluno for laudado e se o aluno tiver lá na secretaria digital como um aluno laudado e com acompanhamento, a história muda. Não só eu, o pessoal do Estado também está ansioso. Quando falamos que ‘quero acreditar’, é que isso seja feito rapidamente, e sabemos que não depende só dele. Existem trâmites, existem prazos, mas temos muita urgência. A fala dele foi excepcional; nunca tinha visto ele falar, e eu estive no dia em que ele nem pôde falar com o prefeito, exatamente para poder conhecê-lo. Tenho certeza de que nossa necessidade primária chegará até ele, e estamos contando que ele consiga [o recurso] com muita brevidade.”
RN: Em uma reunião ocorrida nesta terça-feira, a senhora disse que pretende mudar a nomenclatura do cargo de “ASSESSOR PEDAGÓGICO” para COORDENADOR. A senhora tem algum problema com o cargo de assessor?
Valdete: “Isso é uma exigência legal. Precisamos de uma reestruturação, e nessa reestruturação, precisamos regular algumas funções. O cargo de assessor é considerado um cargo comissionado, mas os assessores não são comissionados, são estatutários, têm segurança [no cargo]. Então, qual é o cargo que tem segurança e como ele se trata? Se você perguntar a uma pessoa, elas vão falar ‘o coordenador X’. Então, já é uma nomenclatura que se utiliza. É por isso, mas também, isso aí quem vai decidir não sou eu, tá? É algo que é importante para nós, para a gente trabalhar sempre dentro da legislação.”
Para encerrar a entrevista, foi dada a oportunidade para que Valdete fizesse suas considerações finais:
Valdete: “Em relação aos professores, como eu falei para eles, houve uma dor, e não será apenas com um pedido de perdão, mas com ações. Estou pensando, estou conversando com minha equipe sobre como podemos agir para reconquistá-los, pois realmente precisamos deles e não só deles, mas também dos diretores. É importante que cada um de nós se posicione e saiba de sua responsabilidade, inclusive na fala. Eu jamais pediria desculpas ou perdão se isso não viesse do meu coração. E eu escrevi a carta porque queria ter certeza de que falaria tudo o que deveria e responderia aos questionamentos do vereador. Ele me fez as perguntas, e eu decidi responder na carta porque imaginei que seria importante para os professores. Disseram-me que eu teria 20 minutos e pensei: ‘Não vai dar tempo, já respondo para que pelo menos tudo o que ele falou, você já tenha respondido na carta o meu questionamento’.”
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