terça, 6 de outubro de 2026

SBP faz alerta contra o uso banalizado de ‘canetas emagrecedoras’ por crianças e adolescentes

A Sociedade Brasileira de Pediatria publicou um alerta oficial sobre os perigos do uso sem acompanhamento médico de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — por crianças e adolescentes. A entidade expressa preocupação com a banalização do tratamento, frequentemente incentivada por padrões estéticos em redes sociais, e reforça que a utilização inadequada desses fármacos pode desencadear complicações graves de saúde.

Segundo os pediatras, o uso desses remédios sem a devida orientação e acompanhamento profissional pode causar déficit de crescimento, desidratação, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula. Além disso, a aplicação com finalidade puramente estética em jovens com peso adequado pode atuar como gatilho para ansiedade, depressão e transtornos alimentares graves, como anorexia e bulimia. A entidade também desencoraja o consumo de fórmulas manipuladas, clandestinas ou sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A associação médica recomenda inclusive que a população abandone a expressão “canetas emagrecedoras” e passe a tratar os compostos como medicamentos para o tratamento da obesidade. Para os especialistas, essa mudança na linguagem ajuda a reconhecer a obesidade como uma doença crônica, cujo foco do tratamento deve ser a saúde e a qualidade de vida do paciente, e não a busca por um corpo ideal. Os médicos destacam que a indicação do remédio deve ser restrita a quadros específicos de obesidade e diabetes tipo 2, sem ser uma conduta automática.

A nota lembra ainda que, embora os estudos comprovem a eficácia e a segurança dessas substâncias em adolescentes quando integradas a mudanças no estilo de vida e com acompanhamento adequado, os efeitos colaterais são frequentes. Efeitos gastrointestinais como náuseas, vômitos, diarreia, azia e constipação costumam ocorrer no ajuste das doses. Já a presença de histórico de câncer de tireoide na família, gravidez e lactação são contraindicações absolutas para a prescrição dessas terapias.

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