

A Secretaria Municipal de Saúde de Fernandópolis promoveu um treinamento especial voltado para o aprimoramento do atendimento na rede pública. O evento, organizado pela Coordenadoria do Projeto “Saúde do Negro”, aconteceu na última sexta-feira, dia 19 de junho de 2026, no auditório do campus local da Universidade Brasil. A atividade reuniu médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde com o propósito de alinhar as práticas das equipes locais às diretrizes da política nacional de saúde integral voltada para esse público.

O objetivo central da iniciativa é preparar os profissionais para oferecer tratamentos que considerem as particularidades genéticas, epidemiológicas e sociais que afetam diretamente a comunidade negra. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pretos e pardos compõem a maior parte da população do país, mas ainda enfrentam desigualdades severas no bem-estar social. Médicos alertam que esse grupo apresenta maior predisposição a doenças crônicas como a hipertensão arterial e o diabetes, além da anemia falciforme, que é uma das condições genéticas mais comuns no Brasil e atinge majoritariamente a população negra.
A capacitação contou com palestras de especialistas de referência na região. A médica hematologista e hemoterapeuta Sabrina da Silva Saraiva Mancolin, que atua como preceptora na Santa Casa de Votuporanga e na própria faculdade de medicina da Universidade Brasil, conduziu as explicações sobre os aspectos clínicos das doenças. O encontro também teve a participação de Rosimeire Hernandes, gestora do laboratório regional do Sistema Único de Saúde em Fernandópolis, que detalhou o funcionamento e a oferta de exames diagnósticos realizados pela rede pública e pela Santa Casa local, reforçando que todos os procedimentos são assegurados gratuitamente pelo SUS.


Para garantir o sucesso do programa, a coordenadora do projeto, Joseane Vanzea, destacou que o respeito às diferenças biológicas e históricas é fundamental para que o atendimento seja verdadeiramente eficiente e justo. Como estratégia prática para o município, a Secretaria pretende incentivar os moradores a fazerem a autodeclaração de cor e raça durante os cadastros domiciliares realizados pelos agentes comunitários. Esse mapeamento detalhado permitirá que a prefeitura identifique os pacientes de risco com mais facilidade e direcione os tratamentos preventivos de forma muito mais rápida e precisa.









