sábado, 13 de junho de 2026

Santa Casa de Casa Branca evita detalhes sobre contrato milionário de exames em Rio Preto

A Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca ainda não apresentou explicações detalhadas sobre como pretende executar um contrato de R$ 11,9 milhões firmado com a Prefeitura de São José do Rio Preto para a realização de um mutirão de exames. Questionada sobre a viabilidade técnica do projeto, a assessoria jurídica da instituição limitou-se a confirmar a regularidade fiscal da entidade e a existência do acordo. O advogado da Santa Casa, Rildo Pires Arantes, destacou que as obrigações financeiras da instituição estão em dia, embora a declaração contraste com relatos recentes de atrasos no pagamento de médicos que atuam no hospital.

O contrato prevê a realização de quase 63 mil exames em apenas três meses, o que exige uma média de 800 atendimentos diários. Para atingir essa meta ambiciosa, o plano envolve o uso de seis carretas equipadas com tecnologia para radiografias, mamografias, tomografias e outros procedimentos diagnósticos. O investimento total conta com recursos federais do programa Invest SUS e uma contrapartida de R$ 6 milhões da prefeitura de Rio Preto. No entanto, a falta de clareza sobre o cronograma, a infraestrutura disponível e os mecanismos de controle tem gerado dúvidas sobre a capacidade da instituição em entregar o volume prometido.

A forma como a contratação foi conduzida também está sob os holofotes, uma vez que não houve processo de licitação ou chamamento público para a escolha da Santa Casa. A proposta foi aprovada em regime de urgência pelo Conselho Municipal de Saúde de Rio Preto em abril de 2026, sendo apresentada e votada na mesma reunião. Essa agilidade na tramitação, somada ao fato de a instituição enfrentar problemas estruturais em sua própria sede — como a reforma paralisada do pronto-socorro em Casa Branca —, levantou questionamentos sobre os critérios técnicos utilizados pela administração municipal.

Na Câmara de Rio Preto, a repercussão política foi imediata. O vereador Renato Pupo protocolou um requerimento pedindo explicações sobre o custo médio de R$ 192 por exame, valor que ele considera acima da média praticada pelo SUS. Além disso, há dúvidas sobre por que uma entidade que depende de encaminhamentos externos para realizar certos exames em sua própria cidade foi escolhida para um mutirão dessa magnitude. Diante das incertezas, o secretário de Saúde, Rubem Bottas, deve comparecer à Câmara na próxima terça-feira (28) para prestar esclarecimentos técnicos e financeiros sobre o uso dos recursos públicos neste contrato.

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