terça, 23 de junho de 2026

Saneamento universal em SP gera impacto bilionário no PIB, reduz poluição e melhora notas dos alunos no Enem

Uma pesquisa internacional realizada pela MIT Technology Review revelou que o acesso ao saneamento básico vai muito além de obras públicas de infraestrutura, funcionando como um motor potente para o desenvolvimento social e econômico do país. O estudo, que tomou como base a atuação da Sabesp em São Paulo, mostra que o avanço dos serviços de água e esgoto traz reflexos profundos e imediatos na saúde, no mercado de trabalho e até mesmo na educação das famílias. Essa transformação ganhou ritmo após a desestatização da companhia, realizada pelo governo paulista, que permitiu um salto de 120% na capacidade de investimentos. Em 2025, o estado registrou o maior investimento de sua história no setor, com R$ 15,2 bilhões aplicados na ampliação das redes de atendimento.

Os planos de expansão preveem a aplicação de R$ 260 bilhões até o ano de 2060 para atender mais de 370 municípios paulistas. Como resultado direto desse montante, projeta-se uma injeção de R$ 330 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a geração de aproximadamente 4,6 milhões de empregos ao longo das próximas décadas. Para o cidadão comum, o impacto financeiro é visível no bolso: a média salarial de quem mora em um local com saneamento básico estruturado é de R$ 3.359, enquanto o rendimento despenca para R$ 2.103 nas áreas sem atendimento. Essa diferença ocorre porque a falta de saneamento expõe os trabalhadores a mais doenças e faltas constantes no emprego. O prejuízo afeta principalmente os trabalhadores informais, que deixam de receber pelos dias em que não conseguem produzir.

No ambiente escolar, a ausência de esgoto e água tratada gera um “efeito invisível” prejudicial ao aprendizado dos jovens. Crianças que convivem com a exposição contínua a contaminações e doenças faltam mais às aulas e enfrentam graves problemas de concentração. O Painel Saneamento Brasil aponta que os estudantes com acesso a saneamento em casa completam, em média, 8,49 anos de estudo, enquanto aqueles que vivem sem essa estrutura conseguem estudar apenas por 5,31 anos. Essa diferença de oportunidades se reflete no futuro do estudante: os adolescentes que moram em casas dotadas de banheiros próprios alcançam notas consideravelmente maiores no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), especialmente nas provas de redação e matemática.

Outra grande novidade do levantamento é o papel do saneamento como um poderoso aliado no combate às mudanças climáticas. O esgoto quando fica exposto e corre a céu aberto em rios libera gases poluentes na atmosfera de forma descontrolada. Ao direcionar esses resíduos para estações de tratamento modernas, as emissões podem ser medidas e diminuídas com o uso de tecnologia. A Sabesp planeja modernizar suas principais unidades na Região Metropolitana de São Paulo, o que deve evitar a emissão de 9,1 milhões de toneladas de gases poluentes até 2050. Para dar uma dimensão da importância dessa medida, esse volume de poluição evitado equivale a cerca de 62% de tudo o que a capital paulista emitiu no ano de 2024.

A tecnologia também tem sido fundamental para acelerar o cumprimento da meta de universalização dos serviços, estipulada para acontecer até o ano de 2029 — antecipando em quatro anos o prazo nacional do Marco Legal do Saneamento. Entre as inovações em andamento estão o uso de lodos de alta eficiência em estações de tratamento e a criação do maior parque de medição inteligente de água do mundo, um projeto focado inicialmente em São Paulo e São José dos Campos. Os resultados já começam a aparecer nos indicadores práticos do estado. Dados fechados do primeiro trimestre de 2026 apontam que o atendimento da Sabesp já alcançou a cobertura de 87% de acesso à água potável, 77% na coleta de esgoto e 71% no tratamento dos efluentes coletados da população.

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