

A rodovia Euclides da Cunha (SP-320), que conecta a região de Mirassol à divisa com o Mato Grosso do Sul, consolidou-se como um exemplo raro de eficiência na gestão pública brasileira. Avaliada como “ótima” pela pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), a estrada ocupa a quinta posição no ranking nacional, sendo a única entre as dez melhores que não é administrada por concessionárias privadas e, consequentemente, não cobra pedágio dos motoristas. Para quem vive e produz às suas margens, como o casal de aposentados Cleusa França Marfini e Divanil Lopes, de Jales, a rodovia funciona quase como uma via urbana, essencial para o deslocamento diário e para o escoamento da produção agrícola regional.

O reconhecimento da qualidade da SP-320 não é por acaso. Com asfalto em excelentes condições, sinalização eficiente e um canteiro central largo que aumenta a segurança, a estrada superou rotas famosas e pedagiadas, como a Ayrton Senna e o Rodoanel. A modernização e a duplicação total do trecho, concluídas há cerca de 15 anos, transformaram a realidade do noroeste paulista. Onde antes havia uma pista simples e perigosa, hoje circulam diariamente cerca de 21 mil veículos no trecho mais movimentado, entre Votuporanga e Fernandópolis, com fluidez garantida mesmo em terrenos ondulados.
Além de facilitar o transporte de grandes cargas de soja e cana-de-açúcar, a Euclides da Cunha tornou-se um motor de desenvolvimento econômico e social. Cidades ao longo do percurso registraram crescimento com a chegada de centros logísticos, faculdades e expansão do comércio. Em Jales, por exemplo, a rodovia é fundamental para o acesso de pacientes de todo o país ao Hospital do Amor. A segurança também avançou significativamente: com a instalação de radares e a infraestrutura duplicada, o número de acidentes fatais caiu drasticamente entre 2024 e 2025, reduzindo de 20 para 13 mortes anuais.
Administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a manutenção da pista conta com recursos exclusivos do governo estadual, com uma previsão de investimento de R$ 19,3 milhões para 2026. Apesar da qualidade atual, o órgão mantém a rotina de reparos para evitar que o desgaste natural afete a nota da rodovia, que já chegou a liderar o ranking nacional em 2021. Para os moradores e prefeitos da região, a maior preocupação é a manutenção do modelo gratuito. Recentemente, o governo estadual reforçou que não há planos para conceder a via à iniciativa privada, garantindo que o “tapete” de asfalto continue acessível sem custos diretos aos usuários.








