quarta, 17 de junho de 2026

Risco de morte materna cai até 31% entre quem recebe o Bolsa Família

Pesquisas realizadas ao longo dos últimos dez anos por especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, indicam que o Programa Bolsa Família tem contribuído para a melhoria de diversos indicadores de saúde no Brasil. Entre os resultados observados estão a redução da mortalidade materna e infantil, além da diminuição de doenças infecciosas e de internações relacionadas a transtornos mentais.

Um dos achados considerados mais relevantes pelos pesquisadores está ligado à saúde das gestantes. De acordo com os estudos, mulheres beneficiadas pelo programa apresentaram até 31% menos risco de morrer em decorrência de complicações da gravidez ou do parto em comparação com aquelas que não recebiam o auxílio. Os cientistas atribuem o resultado ao maior acesso ao pré-natal e aos serviços de saúde incentivados pelas exigências do programa social.

Os efeitos positivos também foram identificados entre os recém-nascidos. Em uma análise que envolveu mais de 4 milhões de partos, as mães que recebiam o benefício tiveram menor probabilidade de dar à luz bebês com baixo peso. O impacto foi ainda mais significativo entre mulheres negras e indígenas.

Outros levantamentos mostraram redução dos casos de prematuridade e uma queda de 16% nas mortes de crianças com menos de cinco anos entre famílias atendidas pelo Bolsa Família.

As pesquisas também apontaram benefícios no combate a doenças associadas à pobreza. Entre os beneficiários, a incidência de tuberculose foi 41% menor, enquanto o risco de morte após o diagnóstico caiu 31%. Entre os povos indígenas, os resultados foram ainda mais expressivos.

Em relação ao HIV/Aids, o acompanhamento de mais de 22 milhões de pessoas revelou menor incidência da doença e redução da mortalidade, especialmente entre os grupos de menor renda. Os pesquisadores também verificaram avanços no enfrentamento da hanseníase, com aumento da adesão aos tratamentos e maiores índices de cura.

Na área da saúde mental, um dos estudos apontou que a taxa de suicídio entre os beneficiários do programa foi 56% menor. Também houve diminuição das internações por transtornos psiquiátricos e por problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas, principalmente em regiões mais pobres.

Segundo o epidemiologista Maurício Barreto, da Fiocruz Bahia, os resultados demonstram que fatores econômicos e sociais exercem influência direta sobre a saúde da população. Para ele, políticas de redução da pobreza e ampliação do acesso a serviços públicos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.

As conclusões dos estudos foram apresentadas durante um seminário virtual que reuniu pesquisadores do Brasil e do exterior. As análises foram realizadas com base na chamada Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros, utilizando dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) cruzados com informações sobre nascimentos, internações, doenças notificadas e óbitos.

De acordo com os autores, as evidências reforçam a importância da integração entre políticas de assistência social e o Sistema Único de Saúde (SUS). Para os pesquisadores, a combinação entre programas de transferência de renda e serviços públicos de saúde contribui para reduzir desigualdades e melhorar os indicadores de saúde da população mais vulnerável.

Notícias relacionadas