

O setor elétrico brasileiro iniciou o mês de janeiro sob um cenário de cautela, com os reservatórios das hidrelétricas registrando volumes de água abaixo da média histórica na maior parte do país. O monitoramento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) aponta que o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o “coração” energético do Brasil, opera atualmente com apenas 42,91% de sua capacidade de armazenamento. O índice é considerado preocupante para esta época do ano, que deveria ser marcada por uma recuperação mais robusta devido ao período de chuvas de verão.

Um dos pontos que mais preocupa os especialistas é a situação da Usina de Água Vermelha, localizada no Rio Grande, na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. A hidrelétrica, que possui um papel estratégico para o equilíbrio do sistema regional, está operando com apenas 29,02% de seu volume útil. O nível é muito próximo ao registrado em outubro passado e está bem abaixo de outras usinas importantes da região, como Marimbondo, que apresenta uma situação ainda mais crítica com 18,80%. Outros reservatórios fundamentais, como Furnas e Itumbiara, também seguem com níveis baixos, oscilando em torno de 30% a 33% de sua capacidade.
Embora algumas usinas, como Ilha Solteira e Três Irmãos, apresentem patamares mais confortáveis, acima de 70%, o cenário geral exige monitoramento constante. A projeção do ONS para a segunda semana de janeiro de 2026 indica que as chuvas que chegam aos reservatórios do Sudeste devem atingir apenas 65% do esperado para o período. Enquanto a região Sul do país apresenta uma situação favorável, com expectativa de chuvas acima da média, o Norte e o Nordeste acompanham o Sudeste na tendência de seca, o que pressiona a segurança do abastecimento nacional.
O diretor de Operação do ONS, Christiano Vieira da Silva, destacou que o aumento do consumo de energia durante o verão, impulsionado pelo calor intenso, reforça a necessidade de cautela. Como a reposição de água nos rios tem ocorrido de forma irregular e abaixo do necessário, o setor elétrico já adota medidas operacionais para garantir que a demanda da população seja atendida sem riscos de interrupção. O foco das autoridades agora é observar o comportamento das chuvas nas próximas semanas, torcendo para que a reposição hídrica se intensifique e afaste o risco de crises mais severas ao longo do ano.









