quinta, 16 de abril de 2026

Reforma ministerial: Gleisi Hoffmann deixa articulação política para disputar o Senado

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, confirmou nesta segunda-feira (30) que deixará o comando da articulação política do governo na próxima quarta-feira, 1º de abril. O afastamento ocorre para que ela possa concorrer a uma das vagas ao Senado pelo estado do Paraná nas próximas eleições. Segundo a ministra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar seu sucessor até o final desta semana, levando em conta o cenário das janelas partidárias. Caso um nome definitivo não seja escolhido a tempo, a pasta poderá ser assumida interinamente pelo atual secretário-executivo.

A saída de Gleisi faz parte de um movimento maior na Esplanada dos Ministérios, já que pelo menos outros 18 chefes de pastas devem deixar o governo até o próximo sábado (4) para cumprir o prazo legal de descompatibilização. Para organizar essa transição, o presidente Lula agendou uma reunião ministerial para esta terça-feira (31), onde pretende realizar um balanço das atividades dos auxiliares que saem e apresentar os novos integrantes da equipe de governo. Além das mudanças no primeiro escalão, Gleisi indicou que o presidente estuda o melhor momento para enviar ao Senado a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), descartando a ideia de esperar o fim do período eleitoral para essa definição.

No campo das análises políticas, a ministra comentou a recente oficialização da pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República. Para ela, embora Caiado seja uma figura expressiva, o cenário eleitoral deve permanecer polarizado entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, dificultando o crescimento de uma terceira via. Gleisi avalia que o governador de Goiás terá o desafio de conquistar espaço em um ambiente dividido, especialmente na disputa pelo apoio do setor do agronegócio e de grupos mais conservadores.

Por fim, a ministra destacou uma pauta importante na área de segurança pública e direitos humanos. A expectativa do governo é que o presidente sancione, sem vetos, o projeto de lei que obriga agressores de mulheres a utilizarem tornozeleiras eletrônicas. A proposta, aprovada recentemente pelo Senado, é vista pelo Poder Executivo como uma ferramenta essencial dentro do programa federal de combate ao feminicídio, reforçando a proteção às vítimas e o monitoramento rigoroso de agressores em todo o país.

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