sexta, 19 de junho de 2026

Receita de fé: Prefeitura investiga médico que recomendou igreja a paciente

Uma consulta na rede pública de saúde de Piracicaba, no interior de São Paulo, virou alvo de polêmica e está sendo investigada pelas autoridades locais. Um médico gerou repercussão nas redes sociais após incluir a recomendação de frequentar uma igreja na receita de um jovem de 22 anos, que buscava atendimento para sintomas físicos graves. A Prefeitura informou que abriu um procedimento administrativo para apurar a conduta do profissional.

O caso começou quando o paciente procurou o posto de saúde sentindo fortes dores na cabeça, no ouvido e no abdômen, além de apresentar sinais visíveis de paralisia facial de Bell. Ao retornar para uma reavaliação, o jovem recebeu do médico o diagnóstico de que seus problemas eram causados por ansiedade. Ao questionar a conclusão do profissional, o rapaz relatou que o atendimento mudou drasticamente de tom, e o médico passou a ignorá-lo completamente, conversando apenas com a mãe do jovem, que o acompanhava na consulta.

Na receita médica entregue ao final do atendimento, além do medicamento antidepressivo fluoxetina, o profissional listou recomendações de rotina, como alimentação adequada e exercícios físicos, e acrescentou a orientação para que o paciente participasse de atividades religiosas. Insatisfeito com o desfecho e sentindo que seus sintomas físicos foram negligenciados, o jovem buscou socorro em outra unidade de saúde, onde finalmente recebeu o tratamento adequado com medicamentos corticoides, sessões de fisioterapia para o rosto e encaminhamentos urgentes para especialistas em neurologia e gastroenterologia.

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba defendeu que o paciente passou por uma avaliação completa com exames e remédios. O governo municipal justificou que a menção a atividades religiosas não foi uma imposição de tratamento médico, mas sim uma sugestão complementar voltada ao bem-estar emocional e ao convívio social do paciente. Apesar disso, a administração reforçou que não tolera qualquer tipo de direcionamento religioso nos serviços públicos de saúde e garantiu que o comportamento do médico será rigorosamente avaliado pela área técnica responsável.

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