

A jornalista Rachel Sheherazade utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira (24) para expressar seu descontentamento com as recentes afirmações do Frei Gilson, que se tornaram alvo de intensa polêmica na internet. Ao comentar sobre a visão do religioso a respeito do comportamento feminino e da estrutura dos relacionamentos, Sheherazade estabeleceu um contraste entre diferentes lideranças da Igreja Católica. Em sua publicação, ela defendeu que a mensagem cristã deveria focar mais na igualdade e na misericórdia, citando o Padre Júlio Lancellotti como um exemplo de conduta voltada ao respeito pelos marginalizados e pelas mulheres, em oposição ao que chamou de “moralismo”.

O debate teve início após a circulação de um vídeo em que o Frei Gilson aborda a função da mulher na sociedade e na família sob uma perspectiva estritamente conservadora. Em suas falas aos fiéis, o religioso criticou o conceito de empoderamento, associando-o a uma suposta fraqueza feminina de “sempre querer mais” e não se contentar com qualidades que ele considera normais. Além disso, o frei afirmou que a liderança cabe naturalmente ao homem por determinação bíblica, definindo a missão da mulher como uma “auxiliar” criada para curar a solidão masculina, o que classificou como um desenho divino para a organização dos sexos.
As declarações não incomodaram apenas a jornalista, mas também mobilizaram figuras do cenário político. A senadora Soraya Thronicke já havia se manifestado de forma contundente contra o religioso na última quarta-feira (22), utilizando termos fortes ao questionar a legitimidade do discurso do frei. Para a parlamentar, o uso de temas religiosos para reforçar visões de submissão feminina configura um uso indevido da fé. Ela alertou seus seguidores sobre o que considera serem figuras que se valem de cargos religiosos ou políticos para propagar mensagens que, em sua visão, distorcem os valores espirituais.
A repercussão do caso reflete uma divisão de opiniões sobre os limites da pregação religiosa e as mudanças sociais contemporâneas. Enquanto seguidores do frei defendem que ele está apenas reproduzindo ensinamentos tradicionais, críticos apontam que falas que colocam a mulher em uma posição de inferioridade ou serventia colaboram para o preconceito e ignoram os avanços dos direitos civis. O debate continua gerando engajamento nas plataformas digitais, colocando em pauta o papel da religião na formação das relações de gênero no Brasil atual.









