


Em 2026, Roger Machado foi o técnico do São Paulo com melhor aproveitamento (57% em 11 jogos), superando Hernán Crespo e até nomes históricos dos últimos 11 anos. Mesmo assim, o Tricolor amargou o pior início da Série A, empatado com o Flamengo em 26,7%, escancarando uma temporada marcada por instabilidade no comando.
Três técnicos em poucos meses. Um dos piores inícios entre os clubes da elite. E uma torcida cada vez mais impaciente. A temporada de 2026 do São Paulo FC entrou para a galeria dos anos mais turbulentos da história recente do clube e entender o aproveitamento dos últimos técnicos do São Paulo é a melhor forma de explicar o que aconteceu dentro de campo.
Crise política, impeachment de presidente, demissões surpreendentes e cinco reforços na janela. O ano começou em meio ao caos institucional e, dentro das quatro linhas, o Tricolor demorou a engrenar. A pergunta que fica é simples, mas reveladora: afinal, quem realmente funcionou em 2026?


Hernán Crespo: O vice-líder demitido que dividiu o Morumbis
O caso de Crespo é, sem dúvida, o mais emblemático de 2026. O argentino foi o técnico do São Paulo demitido em um momento improvável: com o time na vice-liderança do Brasileirão. Pouca gente esperava por isso.
Em sua segunda passagem, considerando apenas a temporada de 2026, os números de Crespo foram:
- 14 jogos
- 8 vitórias
- 2 empates
- 4 derrotas
O retrospecto até que era positivo. O problema, como quase sempre no futebol, estava nos bastidores. E aqui vale o contexto.
A demição de Crespo
A demissão veio oito dias após a eliminação para o Palmeiras na semifinal do Paulistão. Mas reduzir tudo ao tropeço no clássico seria um erro grosseiro de leitura.
O blog dos bastidores apurou uma série de atritos acumulados:
- Relação desgastada com a diretoria. Crespo não era uma escolha do presidente Harry Massis. O recém-chegado gestor esportivo Rafinha se irritou com a fala do técnico de que o São Paulo lutaria pelos 45 pontos, meta típica de quem foge do rebaixamento, não de quem sonha grande.
- Cobranças públicas por reforços. O argentino pressionava forte, interna e externamente, pela chegada de novos jogadores, causando incômodo no clube.
- A postura do agente. O empresário de Crespo tentava se envolver em diversas negociações, o que gerou ainda mais ruído.
- Atritos no vestiário. O caso mais notório envolveu Alisson, que precisou deixar o Morumbis porque sabia que não jogaria com o argentino. O meio-campista chegou a desabafar nas redes: “Caráter pra mim nunca se negocia.”
Apesar de tudo isso, é preciso reconhecer o trabalho dentro de campo. Após o início ruim e a infeliz fala dos 45 pontos, Crespo virou a chave: emendou uma sequência de oito jogos de invencibilidade, sendo cinco vitórias seguidas, interrompida justamente pelo Palmeiras.
Essa performance surpreendente não apenas levou o time à vice-liderança do Brasileirão, mas também gerou um volume de apostas que colocou o São Paulo como favorito nas melhores dicas de futebol na tips.gg, que viram a confiança do mercado no time disparar.
Somando suas duas passagens pelo clube (2021 e 2025-2026), o argentino acumulou 99 jogos, com 45 vitórias, 26 empates e 28 derrotas, além do título Paulista de 2021, que encerrou um jejum de quase nove anos. Um legado respeitável, encerrado de forma abrupta.
Roger Machado: O melhor aproveitamento em 11 anos
A aposta para estabilizar o ambiente foi Roger Machado. E, curiosamente, é aqui que mora a maior surpresa estatística da temporada. Se a pergunta é quem teve o melhor aproveitamento, a resposta atende pelo nome dele.
Em 11 jogos no comando, segundo os palpites de especialistas, Roger alcançou 57% dos pontos disputados, o maior número de um treinador do São Paulo desde 2015. Os dados do período:
- 6 vitórias
- 1 empate
- 4 derrotas
Para dimensionar o feito, vale a comparação histórica. O último a superar essa marca foi nada menos que Muricy Ramalho, o lendário comandante que somou 60% entre 2013 e 2015. De lá pra cá, foram 18 treinadores diferentes no Tricolor.
O problema de Roger Machado estava no Brasileirão
Aqui entra a leitura de quem acompanha de perto. O aproveitamento geral enganava. No campeonato que realmente importa, o Brasileirão, o desempenho era preocupante.
Considerando a temporada completa sob seu comando (em todas as competições), Roger somou 17 jogos, com 7 vitórias, 4 empates e 6 derrotas, passando por Brasileirão, Copa Sul-Americana e Copa do Brasil.
O detalhe que pesou contra ele: no recorte específico da Série A, o aproveitamento despencava para 41,6% (três vitórias, um empate e quatro derrotas). Para efeito de comparação, Crespo havia tido 56,7% dentro da competição nacional. A conta não fechava para a diretoria, e a pressão da torcida fez o resto. Roger deixou o clube pouco mais de dois meses após sua chegada.
Dorival Júnior: A terceira passagem e a missão de recuperar o moral

Foto: Futebol Paulista/Flickr
Com a saída de Roger, o São Paulo recorreu a um velho conhecido. Dorival Júnior chegou para sua terceira passagem pelo Tricolor, a mais clara demonstração de que o clube buscava alguém de confiança para apagar o incêndio.
Por enquanto, a amostra é pequena. Em 4 jogos (Sul-Americana e Brasileirão), Dorival registrou:
- 1 vitória
- 2 empates
- 1 derrota
São números ainda inconclusivos para qualquer veredito definitivo. A chegada de Dorival, porém, carregava um peso simbólico maior do que estatístico: a tentativa de estancar a sangria emocional de um elenco que trocou de comando três vezes em poucos meses.
O pior início do São Paulo na Série A
Recuar e olhar o quadro completo é o que dá real dimensão à crise. Antes da estreia no Brasileirão de 2026, primeira edição disputada de janeiro a dezembro no novo formato, o São Paulo aparecia na lanterna do aproveitamento entre os clubes da Série A.
O número é duro: 26,7%, com três derrotas em cinco partidas e uma das defesas mais vazadas da elite. O Tricolor dividia o fundo da tabela apenas com o Flamengo.
Veja como o São Paulo se posicionava no ranking de início de temporada:
- 1º Lugar (Bahia): 100% de aproveitamento
- 3º Lugar (Internacional): 80% de aproveitamento
- 4º Lugar (Palmeiras): 80% de aproveitamento
- 18º Lugar (Santos): 40% de aproveitamento
- 19º Lugar (Flamengo): 26,7% de aproveitamento
- 20º Lugar (São Paulo): 26,7% de aproveitamento
Vale a ressalva técnica: esses números refletem apenas os campeonatos estaduais e não consideram o uso integral dos elencos principais. Muitos clubes rodaram o elenco ou usaram times mistos. Ainda assim, para um clube do tamanho do São Paulo, terminar essa fase na lanterna é um sinal de alerta difícil de ignorar.
As contratações de 2026
Em meio ao turbilhão, a diretoria mexeu no elenco. Foram cinco reforços na janela, conduzidos por Rui Costa:
- Danielzinho: Chegou após o fim de contrato com o Mirassol e virou titular absoluto
- Lucas Ramon: Lateral-direito, também ex-Mirassol, já balançou as redes
- Carlos Coronel: Goleiro contratado para qualificar a posição
- Matheus Dória: Zagueiro para reforçar uma defesa que vinha sofrendo demais
- Cauly: Meia que chegou por empréstimo do Bahia
No papel, são contratações que atendem necessidades reais, especialmente a vulnerabilidade defensiva. O problema é que, com tantas trocas no comando, fica difícil para qualquer comandante implementar uma ideia clara de jogo. E reforço nenhum rende dentro de um projeto que muda de mãos a cada dois meses.
Afinal, quem funcionou no São Paulo em 2026?
Se a régua for puramente o aproveitamento de cada treinador, a resposta é direta: Roger Machado funcionou, com 57%, o melhor índice do clube em 11 anos. Mas a estatística, isolada, mente. O fraco desempenho no Brasileirão e a ausência de resultados expressivos minaram seu trabalho.
Crespo, por sua vez, entregou a vice-liderança e uma invencibilidade de oito jogos, mas perdeu a queda de braço política nos bastidores. E Dorival ainda escreve seu capítulo, com amostra pequena demais para um julgamento justo.
A verdade incômoda é que ninguém “funcionou” de forma plena, porque o problema do São Paulo em 2026 não estava apenas no banco de reservas. A instabilidade no comando técnico foi sintoma, não causa. Três treinadores em poucos meses, crise política, impeachment e uma diretoria sob fogo cruzado da torcida formam o retrato de um clube que tropeçou primeiro na gestão, depois no gramado.
O caminho para o restante da temporada passa, obrigatoriamente, por algo que faltou no início do ano: planejamento e paciência. Dorival precisa de tempo, os reforços precisam de rodagem e a diretoria precisa parar de tratar o cargo de técnico como porta giratória. Sem isso, qualquer aproveitamento, por melhor que pareça na planilha, vira apenas mais um número fadado a não durar.







