quarta, 8 de abril de 2026

Queda no preço do leite e alta nos custos desafiam produtores no interior paulista

Os pecuaristas de leite no interior de São Paulo enfrentam um cenário econômico delicado em 2026, marcado pelo desequilíbrio entre o valor recebido pelo produto e os gastos para mantê-lo. Neste ano, o preço pago ao produtor por litro de leite sofreu uma redução superior a R$ 0,90 em comparação ao mesmo período de 2025, gerando uma forte pressão sobre a renda das famílias que dependem dessa atividade. O setor aponta que a instabilidade atual é agravada pelo aumento na importação de leite em pó, o que satura o mercado interno e puxa as cotações para baixo.

Em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, o produtor Alex Menezes ilustra bem essa realidade. Com um rebanho de 27 vacas da raça Girolândia, ele investe em sistemas de piquetes irrigados para garantir pasto de qualidade e manter a produtividade de 170 litros diários. No entanto, a conta no fim do mês está cada vez mais apertada: enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 1,63 por litro, o valor de venda alcança apenas R$ 1,80. Essa margem de apenas R$ 0,17 é considerada insuficiente para cobrir a manutenção da propriedade e os investimentos necessários em tecnologia e infraestrutura.

A dificuldade em fechar o caixa tem obrigado produtores a adotarem estratégias extremas para não abandonar a atividade. Em Ameliópolis, a produtora Cristina Hattori, que atua no ramo há 16 anos, relata que nunca presenciou valores tão baixos. Assim como Alex, ela precisou vender parte de seu rebanho para levantar capital e garantir a compra de insumos básicos. Especialistas do setor confirmam que a venda de animais é uma saída comum em tempos de crise, mas alertam que a medida deve ser planejada com cautela para não reduzir a capacidade produtiva futura da fazenda.

Apesar das dificuldades financeiras que persistem há pelo menos três anos, a produção total de leite no estado de São Paulo apresentou um crescimento expressivo recentemente. Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o volume produzido saltou de 50 mil litros em 2024 para quase 82 mil litros no ano passado. Esse aumento de produtividade, contudo, não tem se traduzido em lucro real para o pequeno produtor, que segue lutando contra a alta dos preços de suplementos minerais e rações, enquanto aguarda uma reação do mercado consumidor e medidas que equilibrem a competitividade com o produto importado.

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