sábado, 10 de outubro de 2026

Queda no consumo global de suco de laranja reduz preços e pressiona citricultores no interior paulista

Apesar do aumento na colheita em diversas propriedades do interior paulista, os produtores rurais enfrentam sérias dificuldades financeiras provocadas pelo descompasso entre a alta dos custos e a baixa demanda da indústria do suco. A combinação entre o valor elevado da bebida no mercado internacional e o preço da fruta no ambiente doméstico causou uma forte retração no consumo global. De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), os preços elevados mantidos nos últimos três anos provocaram uma queda de até 40% nas vendas de suco.

O impacto da baixa procura é sentido diretamente nos pomares do Noroeste Paulista. Em Olímpia, o citricultor Lucas Ferrantes Fonseca projeta colher 30 mil caixas de laranja-pêra-rio nesta safra, o dobro do volume registrado no ano anterior. No entanto, em dois meses de colheita, menos da metade da produção foi comercializada, e o valor pago pelo mercado não cobre as despesas do campo. Atualmente, o custo estimado para produzir uma caixa é de R$ 35, enquanto o preço praticado de venda caiu para R$ 22.

A crise atinge também produtores de municípios vizinhos, como Guaraci, onde o produtor José Humberto Gazoni precisou descartar frutas saudáveis e recorrer ao plantio de mamão para conter o prejuízo. O valor da caixa de 40 quilos de laranja-valência, que já chegou a ser comercializada por R$ 70 na região, despencou para R$ 33. O cenário geral da safra no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro também reflete perdas estruturais, com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) apontando uma redução acumulada de 38 milhões de caixas devido à estiagem severa e ao avanço do greening nos pomares.

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