sexta, 17 de julho de 2026

Promotoria denuncia quatro pessoas por morte de jovem que saltou de ponte sem corda

A Promotoria de Justiça de Limeira apresentou uma denúncia oficial contra quatro pessoas pelo envolvimento na morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos. O caso aconteceu no dia 13 de junho, quando a jovem foi arremessada de uma ponte sem a corda de segurança durante a prática de rope jump, uma modalidade de salto em queda livre. Três dos acusados vão responder por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, com o agravante de motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A quarta pessoa envolvida, organizadora do evento, foi denunciada pelo mesmo crime por omissão, já que tinha o dever de garantir a segurança de todos, e também responderá por fraude processual.

A jovem pagou para realizar o salto em um viaduto ferroviário desativado que é conhecido na região como Ponte do Esqueleto. De acordo com as investigações do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o grupo organizava saltos para cerca de 80 a 100 pessoas por dia, mas operava de forma totalmente informal, sem nenhuma estrutura regulamentada e ignorando os protocolos mais básicos de segurança. No dia do acidente, Maria Eduarda foi submetida a uma manobra chamada “aviãozinho”, em que os instrutores erguem o participante e o jogam da estrutura. Os operadores lançaram a jovem no vazio sem perceber que o cabo de segurança não estava preso ao peitoral dela, provocando uma queda de aproximadamente 30 metros de altura que causou a morte imediata da vítima por politraumatismo.

Para os promotores de Justiça, os responsáveis sabiam perfeitamente dos riscos extremos da atividade, mas deixaram de lado cuidados obrigatórios, como conferir os nós e fazer uma dupla checagem dos equipamentos antes de cada salto. A denúncia aponta que o grupo trabalhava sem uma divisão clara de tarefas e explorava o negócio comercialmente sem cumprir as leis, colocando o lucro financeiro e a busca por curtidas nas redes sociais acima da vida humana. O Ministério Público destacou ainda que a organizadora já sabia de uma falha operacional parecida que havia ocorrido em um evento anterior, mas optou por não interromper os saltos nem adotar padrões mínimos de proteção.

Além da negligência, a organizadora é acusada de tentar esconder provas. Segundo o MPSP, ela mandou recolher a câmera GoPro que a vítima usava no momento do acidente e ordenou que o vídeo do salto fosse apagado para atrapalhar o trabalho da polícia. Até o momento, o equipamento de filmagem continua desaparecido. Diante da gravidade dos fatos, os seis promotores que assinam o caso pediram à Justiça que mantenha a prisão preventiva dos três homens envolvidos e mude a prisão temporária da organizadora para preventiva. O Ministério Público também solicitou que os acusados paguem uma indenização de R$ 200 mil como reparação pelos danos causados.

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